OPINIÃO
17/02/2014 09:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Governo vai transformar Black Blocs em heróis?

Os Black Blocks não têm nenhuma sustentação popular. Mas muita gente no poder parece querer que eles virem heróis.

Eles são vistos, no Brasil, cada vez como um grupo orientado mais pelo ódio do que por uma plataforma política.

Lideranças sociais e políticas (mesmo as mais radicais) querem distância deles para não se confundirem com a violência.

Basta ler as entrevistas de seus integrantes para constatar o primarismo. Em entrevista ao Estadão, um deles disse acreditar sinceramente que eles vão criar tanta insegurança a ponto de as seleções de futebol estrangeiras evitarem vir ao Brasil. Logo, não haveria Copa.

E se não houver Copa, imaginam eles, certamente a educação e a saúde do brasileiro vão melhorar.

A tendência, portanto, é o isolamento. Eles só conseguem algo quando se infiltram em alguma manifestação pacífica e, com o tumulto, viram estrelas midiáticas.

O risco é, como estamos assistindo, o surgimento de leis que transformem esses radicais em heróis.

Isso porque algumas dessas medidas, feitas na emoção provocada pela morte do cinegrafista, podem inibir o direito à manifestação e expressão.

Esse debate sobre se deve ser proibido ou não máscara (nada impede que a pessoa, numa democracia, escolha a vestimenta) é capaz de glamurizar a máscara como sinal de rebeldia.

Evidente que, dentro da lei, o poder público é obrigado a manter a ordem, reagindo à violência -- isso não significa permitir a bestialidade de muitos policiais. Se cada um quiser quebrar o que não gosta, ninguém mais sai de casa.

Mas o melhor antídoto contra os Black Blocks não é o cassetete. Mas a luz: fazer com que exponham e debatam publicamente suas ideias -- e aí serão obrigados a tirar a máscara.

O que veremos é simplesmente nada.