OPINIÃO
13/02/2014 09:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Caetano colocaria de novo a máscara de Black Bloc?

Mídia Ninja

Muitas vezes, tragédias, por mais dolorosas que sejam, provocam reações que ajudam a enfrentar males sociais, econômicos ou políticos.

A morte de Vladimir Herzog, por exemplo, ajudou (e muito) a desmontar os porões da ditadura militar.

No caso da morte do cinegrafista Santiago, o país percebeu e se uniu contra a selvageria de quem usava e usa as manifestações para promover a violência.

Estamos vendo, com nitidez, que, na loucura de multidões, jovens como Caio Silva acabam se deixando contaminar pela violência, colocando em risco sua vida e de outras pessoas.

Lendo suas entrevistas, vemos que, em essência, é um pobre coitado, que destruiu uma família. E destruiu sua vida. E nem sabia direito porque estava lutando. Nada disso significa que não deva ser punido.

Fui atacado nas redes sociais (e muito) porque critiquei quando Caetano Veloso (aliás, de quem sou admirador pelo seu talentos extraordinário e generosidade humana) vestiu o capuz de Black Bloc. Falei o óbvio: ele estava usando seu prestígio para endossar (mesmo sem querer) a selvageria. Será que ele faria essa asneira de novo? Duvido.

Essa violência acaba catalisando os mais diferentes tipos de dores, ódios e ressentimentos que, muitas vezes, nada têm a ver com causas. Apenas com a vontade de exercitar o ódio. Daí para se perder o controle é apenas um pulo.

Sou da geração que lutou pela democracia (o que para muitos é um passado remoto). Justamente para que a palavra fosse mais importante do que a porrada.

Sou daqueles que nem de longe está satisfeito com o que Brasil é.

Mas nem de longe quero ver as discordâncias políticas resolvidas na pancada, seja da polícia, seja de alguns radicais que se infiltram entre manifestantes.

Difundir essa simples, muito simples, mas vital lição, é o que estava embutido na morte estúpida do cinegrafista.