OPINIÃO
25/02/2014 15:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Think tanks e o complô da inovação (VÍDEO)

O mundo anuncia: "Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos". E na era da inteligência coletiva prosperam os think tanks.

Essas duas palavrinhas, think tanks, são grupos de estudos, produzindo e difundindo conhecimentos e assuntos estratégicos, com objetivo de influenciar transformações sociais, políticas, econômicas e científicas, sobretudo nos assuntos em que as pessoas não encontram facilmente bases para análises claras. Em sociedades modernas e cada vez mais complexas, a necessidade de espaços que reúnam pessoas de destaque, com autonomia suficiente para se atreverem a contestar criativamente as tendências dominantes, tornam-se imprescindíveis na construção desse conceito.

O Brasil e seus quatro encontros

Recentemente, enquanto debatia com uma educadora chinesa ouvi: "Nosso projeto como nação é que todos prosperem. Alguns primeiro. Mas todos prosperarão". Encontrei um brasileiro que passou os últimos 15 anos trabalhando na Ásia e ele constatou: "Na Ásia, tem-se a impressão de que existe uma conspiração para a inovação". A diretora de uma gigante multinacional disparou em uma reunião: "Recebo muitos estudos e pesquisas de fora e nós, no Brasil, compartilhamos pouco. Não investimos em pensamento critico e inovador". A editora-chefe da revista Science, Marcia McNutt, questionada sobre a razão de nunca termos ganhado um Nobel, disparou: "A ciência brasileira precisa ser mais corajosa e mais ousada se quiser crescer em relevância no cenário internacional". E o óbvio apareceu!

A instituição Global Go To Think Tank Index (GGTTI) lançou seu relatório mundial dos países que produzem e difundem conhecimento transformador. E, pasmem, nosso continente tem a metade de think tanks do continente africano. O Brasil, apesar de estar na 13º colocação, tem 22 vezes menos espaços disruptivos que os EUA e seis vezes menos think tanks que a China. Comparado com a realidade destas duas potências, somos um deserto de think tanks.

Com raras exceções, a nossa academia é um clube fechado corporativista, nossas empresas têm políticas poucos inovadoras, viraram lentas copiadoras e com pensamento baseado na ditadura do Excel e dos quarters de faturamento. Nossa classe política vive nas capitanias hereditárias com uma economia baseada no C (Cerveja, commodities, Console de games, Celular e Copa do Mundo), ou seja, pão e circo em tempos exponenciais.

Chegamos na encruzilhada, chegou a hora de definir nosso projeto como nação, nosso complô de inovação. Chegou a hora da educação de alto impacto e da criação de um país criativo e inovador que competirá na era da inovação coletiva e da economia circular. Ou acordamos para um mundo baseado em risco, inovação, educação transformadora e ética coletiva, ou ficaremos para trás escovando bites, vendendo commodities e olhando a banda passar.

Temos que decidir se desejamos ser conectados na inovação como no vídeo abaixo em Hong Kong; ou se nosso continente nesta década será marcado pelo cartaz da estudante morta na Venezuela.

"O tempo de Deus é perfeito. Mas, se não sairmos às ruas, o tempo de maduro será eterno". A Inovação não é toda estória, mas é uma grande estória.