OPINIÃO
12/06/2014 14:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Nesta Copa, vamos trabalhar para acabar com o trabalho infantil

Aqui, a febre da Copa é palpável, e a atenção do mundo estará concentrada no que acontecer dentro do estádio. Hoje também marca um dia muito importante, que corre ficar perdido na confusão: o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Qual é a ligação?

FAYEZ NURELDINE via Getty Images
TO GO WITH AFP STORY BY PIERRE-YVES JULIEN An Algerian boy blows in a toy on November 12, 2009 as he stands by a street seller stand where are displayed Algerian flags and national football team jerseys, on the eve of their World Cup 2010 qualifying football match against Egypt. AFP PHOTO/ FAYEZ NURELDINE (Photo credit should read FAYEZ NURELDINE/AFP/Getty Images)

Hoje marca o início oficial da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Aqui, a febre da Copa é palpável, e a atenção do mundo estará concentrada no que acontecer dentro do estádio. Hoje também marca um dia muito importante, que corre ficar perdido na confusão: o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Qual é a ligação?

Aqueles de nós que estivemos em algum megaevento esportivo já deparamos como crianças vendendo souvenirs, e alguns de nós inevitavelmente já nos rendemos a algum vendedor maroto e de olhos grandes em nossas viagens. Mas não se engane: trabalho infantil é uma violação dos direitos das crianças e as deixa extremamente vulneráveis a outras violações, como violência física e psicológica, abusos e exploração sexual. Apesar de as leis proibirem o trabalho para crianças menores de 16 anos no Brasil, hoje há cerca de 3 milhões de garotos e garotas, de 10 a 17 anos, que são vítimas do trabalho infantil.

Apesar de tentarmos minimizar o problema, o trabalho infantil foi a forma de exploração de crianças mais registrada no disque-denúncias da Secretaria de Direitos Humanos do país durante dois grandes eventos realizados no país em 2013.

Portanto, é legítima e necessária a preocupação em proteger crianças e adolescentes brasileiros do trabalho infantil durante a Copa, particularmente porque muitos deles vêm de grupos já bastante vulneráveis, como o de trabalhadoras domésticas, meninos recrutados pelo tráfico de drogas, negros e indígenas.

As escolas estarão de férias durante a Copa, deixando as crianças ainda mais vulneráveis aos diferentes tipos de trabalho infantil, incluindo o uso delas para fins de exploração sexual, pornografia, trabalho forçado e todos os tipos de atividades que possam ameaçar a segurança, a saúde e a moral das crianças.

Apesar de a conversa ter girado em torno da construção dos estádios, há outros tipos de infra-estrutura. O Brasil vem se preparando para este momento com o reforço do sistema de proteção das crianças, para que ele possa prevenir e responder à violência e à exploração - incluindo o trabalho infantil. Há também um trabalho de informação do público, mobilizando agências policiais e reforçando os serviços especializados em crianças. O governo também aprovou recentemente uma nova lei que tem penas mais duras para a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Um passo além foi dado com uma inovação que coloca a proteção das crianças nas mãos dos cidadãos. O governo do Brasil, o Unicef e parceiros lançaram recentemente o aplicativo Projeta Brasil. Com apenas alguns toques no smartphone ou no tablet, é possível denunciar casos de abuso, violência ou exploração de crianças, incluindo o trabalho infantil.

Com o aplicativo, testemunhas e vítimas da exploração de crianças podem registrar a hora, o local e as circunstâncias para as autoridades locais, por telefone ou pessoalmente. A resposta da polícia e das autoridades de defesa das crianças é imediata. Essa ferramenta, juntamente com uma campanha de comunicação de grande escala nas 12 cidades onde haverá jogos, fazem do fenômeno invisível do trabalho infantil uma responsabilidade coletiva para brasileiros e turistas que participam do evento. O aplicativo pode ser baixado no Google Play e na App Store da Apple, está disponível em inglês, espanhol e português e já conta com o apoio de muitas celebridades.

Ao darmos o pontapé inicial nesta Copa do Mundo, lembremo-nos das lições e do legado de Nelson Mandela, que disse: "O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar. Tem o poder de unir as pessoas como poucas outras coisas. Ele fala aos jovens numa língua que eles entendem. O esporte cria esperança onde antes havia só desespero." Vamos usar essa esperança e trabalhar juntos, em equipe, para fazer do começos desses jogos o fim de todas as formas de trabalho infantil.

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