OPINIÃO
06/03/2015 12:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Parque Augusta: um laboratório de ideias e um dos experimentos mais ricos da cidade

Nos últimos dois meses o Parque Augusta esteve aberto a todos. Coletivos e moradores de todas as idades se uniram para discutir o que quase nunca se discute no dia a dia da cidade: horizontalidade, organização em redes, autogestão, biopolítica, resistência pacífica.

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Nos últimos dois meses o Parque Augusta esteve aberto a todos. Coletivos e moradores de todas as idades se uniram para discutir o que quase nunca se discute no dia a dia da cidade: horizontalidade, organização em redes, autogestão, biopolítica, resistência pacífica.

O parque virou um laboratório de ideias e um dos experimentos mais ricos da cidade, sem partidos envolvidos ou fins políticos. Com aulas públicas, yoga ao ar livre, oficinas... todas feitas por voluntários, livres, abertas e gratuitas - uma experiência rara na cidade em que aulas de yoga custam mais de 300 reais por mês.

Nos mutirões de limpeza, assembleias e no ócio muita gente parou pra discutir, pra repensar, pra viver o presente, pra respirar.

Durante algumas meditações que organizamos por lá, vimos pessoas enchendo galões de água e regando cada uma das 200 mudas de árvore que eles mesmos plantaram. Outras, ainda de camisa, depois do trabalho no escritório, cavavam cisternas para aproveitar a água da chuva.

Hoje as mudas estão lá, fechadas dentro dos muros, onde funcionários afirmam que uma cerca de 3 metros está sendo construída. Irregularmente, é claro. Um parque fechado com cadeados, irregularmente, quando deveria manter aberta uma passagem de servidão. Um projeto que aprova a derrubada de 56 árvores do Parque, tudo, tudo irregularmente.

Mas no meio de tudo isso, ainda nascem flores. A experiência do Parque é pequena diante do poder político e das construtoras. É frágil diante da força do Choque e de seus caminhões que chegam durante a madrugada, mas deixa claro que o desejo de rua, de novos espaços e de novas vivências na cidade está indo além das manifestações. Ele está vivo, acontecendo e tomando forma todos os dias, às vezes, do lado das nossas casas.