OPINIÃO
07/11/2014 14:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Copa das Minas Gerais

Não há favorito, está para nascer quem arrisque um vencedor e prove sua tese com argumentos convincentes que um é melhor que outro.

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Está oficialmente aberto o Mês Mundial do Futebol Mineiro!

O Atlético mais uma vez colocou a palavra milagre no nome e venceu o Flamengo por 4 a 1 no Mineirão, jogando no baú do esquecimento do futebol muito mais que as provocações da imprensa carioca. Assim, provou por A mais B que, sim, um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Até quatro vezes se for preciso para consagrar a mística entre time e torcida e a raça alvinegra.

O Cruzeiro, regular e equilibrado como sempre -- sem deixar de ser brilhante --, tinha feito o resultado (1 a 0) contra o Santos na primeira partida no Mineirão. Mas, para não fugir à regra da noite, precisou tomar um gol aos dois minutos, empatar, tomar a virada e o terceiro gol que o desclassificava para só então buscar o empate e a consequente vaga na final.

Os jogos de ontem seriam o assunto da semana sob o nosso belo horizonte se não fosse por um motivo: outros dois jogos ainda mais históricos estão por vir. Galo e Cruzeiro se classificaram para a final da Copa do Brasil e protagonizam, pela primeira vez, uma decisão mineira em campeonatos nacionais. Um confronto adiado desde 1987, quando os mineiros terminaram a primeira fase como líderes de suas respectivas chaves. No quadrangular final da antiga Copa União, o Atlético acabou caindo para o Flamengo e o Cruzeiro para o Internacional. Também poderia ter sido ano passado na Copa Libertadores, mas quis o destino e o bom momento do futebol mineiro que fosse agora, na Copa do Brasil.

Esta já é uma semana diferente e os resultados das semifinais transformaram Belo Horizonte na capital nacional da agonia. Já se ouvem os clamores de autoafirmação de ambos os lados, mesmo que o sentimento real seja de apreensão, de um aperto no peito sintomático dos infartos mais fulminantes. Pelo menos um lado da cidade vai acordar cinza na manhã do dia 27 de novembro. "Não quero nem imaginar o que será um confronto com eles numa final", é o que mais se ouve entre os integrantes do Belo Horizonte Futebol Clube. E, podem ter certeza, a frase não poderia ser mais literal: BH vai parar!

Não pense você -- talvez um completo desinteressado e desinformado sobre futebol -- que ficará fora do jogo. A hola de ansiedade, euforia e decepção afetará a todos. Da criança em êxtase vestida com o blusão do pai ao idoso descrente, calejado pelas derrotas da vida futebolística. Do sem juízo capaz de dias na fila por um ingresso mais caro que a compra do mês ao mais veemente crítico da loucura incompreendida. A indiferença será um estado impossível.

Que me perdoem os adeptos da ideia de que Minas Gerais é o grande vencedor nesta final. Na verdade, cada um se permite ao egoísmo nada regionalista de representar a própria nação. Afinal, um clássico faz o futebol parecer outro esporte. Batalhas de vida ou morte. Vitórias que levam às lágrimas o mais turrão dos homens. Derrotas que sangram por anos, um sentimento de dor que só quem já tentou explicar o inexplicável teve o desprazer de um dia experimentar. O triunfo é quase uma obrigação religiosa.

Não há favorito, está para nascer quem arrisque um vencedor e prove sua tese com argumentos convincentes que um é melhor que outro. De nada adianta falar de esquemas táticos, elencos e estatísticas. O ansioso não ouve nada, não compreende nada. Só espera, em êxtase, que seu lado da cidade acorde mineiramente vitorioso.

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Nota: não cabe em mim o orgulho de fazer parte de uma Massa que, em tempos de padrão Fifa, elitização das torcidas e ingressos a R$ 150, ganha jogo, no grito, no pulmão e na raça. Não desiste, acredita, luta como se tivesse em campo! Faz a diferença, para provar que

"não é milagre, é CLUBE ATLÉTICO MINEIRO".

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