OPINIÃO
22/05/2015 18:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Disney da vida real: Conheça a história de um reino e sua princesa de verdade

Para realizar o sonho da filha, de criar um reino sustentável e duradouro, o "rei" acaba de lançar uma campanha para arrecadar cerca de 500 milhões de dólares.

Montagem/Facebook/Kate Taylor

Em meados de agosto do ano passado a Al Jazeera English emitiu uma entrevista um tanto inusitada em um dos seus segmentos de jornalismo cotidiano: um fazendeiro estadunidense do estado da Virginia (EUA) realizou o "sonho" da sua filha Emily de se tornar uma princesa. Não é brincadeira.

Jeremiah Heaton, de 37 anos, comprou um território entre o Sudão e o Egito chamado Bir Tawil, uma região dita não-contestada. Em 16 de junho do ano passado, o fazendeiro fincou a bandeira do seu agora "reino" na região por ele denominada de O Reino do Sudão do Norte (The Kingdom of North Sudan).

O reino já possui uma embaixada na Dinamarca e está em processo de reconhecimento pelas Nações Unidas - um processo longo e burocrático. Em entrevista ao Daily Mail, Emily, agora uma "princesa" que se diz sentir "parte de uma família real", disse que a vontade de se tornar princesa vem do seu desejo de ajudar as pessoas.

Com uma vasta experiência no trabalho com a terra em situações bastante adversas -- seja no período de seca intensa ou excesso de chuvas --, o fazendeiro quer implantar novas técnicas de agricultura no seu novo reino e criar uma espécie de celeiro de pesquisas para melhorar métodos de cultivo e criar um micropolo de produção para posteriormente auxiliar regiões vizinhas que sofrem com escassez de recursos.

Para realizar o seu sonho, digo, o de sua filha, de criar um reino sustentável e duradouro, Heaton acaba de lançar uma campanha para arrecadar fundos, por meio de crowdfunding, com o qual ele espera arrecadar cerca de 500 milhões de dólares - um valor apenas inicial. Lotes com valores mais altos podem render alguns benefícios aos doadores como ter o privilégio de nomear a capital do reino, caso a doação seja em torno de 1,75 milhão de dólares.

Mas como nem tudo são flores, ou melhor, contos de fada a la Disney - que, aliás, fechou contrato para filmar a trajetória do fazendeiro na criação do reino ao lado de sua filha - as críticas à iniciativa não param de pipocar em diferentes mídias.

Os problemas não são apenas de natureza estrutural como a captação de recursos hídricos (a região não é das mais irrigadas), mas especialmente de ordem política e econômica por conta de correntes contendas políticas entre os EUA, o Egito e o Sudão.

Seja como for o fato, então inusitado, cria precedentes alarmantes que podem respingar (esperamos que não) em disputas até mais próximas da gente, como é o caso da região amazônica, que vira e mexe volta para os holofotes geopolíticos.

Outros acadêmicos e jornalistas criticam a motivação por trás da criação do reino e de como isso pode reconfigurar o imaginário de outras crianças (e talvez adultos também, por que não?) já que a história repaginada pelas tintas dos estúdios Disney pode ganhar aquelas proporções globais e entrar para o hall dos contos do "tudo é possível, basta sonhar!".

Não querendo ser pessimista, longe de mim, mas só mostrando o outro lado do conto, que, dessa vez, é real.

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