OPINIÃO
05/09/2014 18:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Os rastros deixados pelo seu celular podem ajudar a prevenir epidemias

Analisar as informações e rastros deixados pelas pessoas na internet em tempo real para o monitoramento de doenças é uma tendência e deve pautar a saúde pública nos próximos anos

DOMINIQUE FAGET via Getty Images
Medical workers of the John Fitzgerald Kennedy hospital of Monrovia wear their protective suit before going to the high-risk area of the hospital, the surgical section where Ebola patients are being treated, on September 3, 2014. Nurses at Liberia's largest hospital went on strike on September 1, 2014, demanding better pay and equipment to protect them against a deadly Ebola epidemic which has killed hundreds in the west African nation.AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET (Photo credit should read DOMINIQUE FAGET/AFP/Getty Images)

O recente surto de ebola que acomete cinco países do Oeste africanos e já matou mais de 1500 pessoas levantou a discussão entre especialistas e pesquisadores de saúde sobre o potencial do uso de dados na prevenção e tratamento de epidemias. Aplicações como o Health Map, que traça um mapa de surtos de doenças e de possibilidades de epidemias a partir da análise de diversas fontes de informações disponíveis na internet, mostram que é possível transformar a avalanche de conteúdos sobre o cotidiano das pessoas disponível nas redes sociais, blogs, sites em algo bastante útil.

A plataforma conseguiu prever o surto de ebola antes mesmo do alerta da Organização Mundial de Saúde, ao identificar postagens em blogs feitas por trabalhadores de saúde em Guiné que relatavam o aparecimento de uma estranha febre hemorrágica.

Analisar as informações e rastros deixados pelas pessoas na internet em tempo real para o monitoramento de doenças é uma tendência e deve pautar a saúde pública nos próximos anos, quando sites como Google Flu Trends devem virar corriqueiros e passar a ter grande acesso. A ferramenta oferece uma visualização do caminho do vírus da gripe pelo mundo a partir do volume de busca sobre o termo detectado, partindo do raciocínio de que é natural que exista uma maior quantidade de busca por termos associados à gripe, por exemplo, em locais ou por pessoas que estejam afetadas pelo vírus.

A ubiquidade trazida pela conexão móvel traz ainda a possibilidade de coletar dados precisos sobre a movimentação da população, os padrões sociais e relacioná-los ao caminho percorrido por determinadas doenças pelo mundo, o que pode ser fundamental na definição de estratégias de saúde pública. Experimento conduzido pela epidemiologista Caroline Buckee de Harvard ano passado mostrou que um local no Quênia era foco de transmissão de malária por atrair uma quantidade grande de pessoas que viajavam com frequência a um lago já conhecido por sua relação com a doença.

Construir uma imagem dos padrões de deslocamento das pessoas para pautar medidas de contenção do ebola é um dos esforços em curso hoje e pode virar uma referência na formulação de outras políticas de uso de dados para a saúde pública. Resta agora reforçar a discussão sobre privacidade e direitos dos cidadãos na era digital, para que grandes epidemias não abram brecha para restrições a direitos fundamentais.

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