OPINIÃO
09/05/2014 09:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Internet das coisas: objeto conectado é diferente de objeto inteligente

Não faz sentido levar conexão para todos os produtos. E muito menos que a conexão se traduz em inteligência, o que pressupõe contexto e interação humana.

Objetos conectados já são realidade, mas isso não significa que faz sentido levar conexão para todos os produtos. E muito menos que a conexão se traduz em inteligência, o que pressupõe contexto e interação humana.

A lógica de que todo objeto pode se associar a um aplicativo e que a partir do smartphone, iPad ou computador deve-se contar, controlar e participar de todos os processos é um tanto esquisita, para não dizer irreal. O Situ, contador de calorias e provedor de informações nutricionais para alimentos, por exemplo, poderia ser uma ótima ideia, se não significasse um iPad na cozinha sendo manipulado ao mesmo tempo em que se prepara uma refeição.

Há ainda o fato de que muitos dos objetos conectados são pensados como um sistema de intranet, possuindo conexões fechadas referentes apenas a aplicação específica--o que é bem diferente da internet e do potencial de conexões que temos em mãos com protocolos abertos.

O fato de podermos conectar os objetos e extrair informação deles não significa que devemos sempre fazê-lo. Essa foi a primeira conclusão da série de debates, palestras e apresentações da ThingsCon, a conferência sobre o futuro do hardware sediada em Berlim esta semana. Conclusão bem sistematizada na apresentação da designer de interação e empreendedora londrina Alexandra Deschamps-Sonsino, considerada uma das pessoas mais relevantes no mundo em Internet das Coisas pela Onalytica.

Em sua brilhante fala, Alexandra clamou por mais simplicidade e utilidade em meio à febre de produtos conectados.

A segunda conclusão é que apenas dando poder aos usuários será possível criar, de fato, alguma inteligência a partir dos objetos conectados. "Nenhum dado é neutro (...). Sem capacidade de interação e diálogo nenhum sentido é possível. (...) Dados não produzem decisão, mas permitem que ela aconteça a partir do desenho de sistemas conjuntos", como bem pontuou Usman Haque no encerramento da Conferência. Que os empreendedores e toda a indústria focada em aplicações de internet o ouça!

Vale navegar por alguns dos projetos do Usman Haque:

Natural Fuse

Rede de dispositivos eletrônicos associados a plantas, no qual é preciso balancear a sua pegada de carbono e necessidade de energia para manter o dispositivo. No caso de desequilíbrio é possível usar a energia de outro dispositivo conectado à rede.

Burble London

Instalação com balões de gás hélio contendo microcontroladores e LED que são manipulados pelo público formando uma infinidade de desenhos e interações.