OPINIÃO
05/06/2018 13:08 -03 | Atualizado 05/06/2018 13:11 -03

Os impactos negativos de uma economia baseada no diesel

Em tempos de debates acalorados na política sobre o uso dos combustíveis fósseis, pouco escutamos sobre uma economia movida essencialmente a diesel, como o Brasil.

Greve dos caminhoneiros lança luz sobre uma economia essencialmente baseada no diesel.
Ueslei Marcelino / Reuters
Greve dos caminhoneiros lança luz sobre uma economia essencialmente baseada no diesel.

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado no dia 5 de junho para aumentar a conscientização global sobre a necessidade de tomar ações ambientais positivas. Em tempos de debates acalorados na política sobre o uso dos combustíveis fósseis, pouco escutamos sobre os impactos gerados no meio ambiente por uma economia movida essencialmente a diesel, como acontece no Brasil.

De acordo com um levantamento apresentado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), no mês de maio deste ano, 9 em cada 10 pessoas vivem em lugares onde respiram poluentes. Essa poluição causa diversas doenças respiratórias e cardiovasculares responsáveis pela morte de cerca de 7 milhões de pessoas por ano.

Estima-se que, em algumas regiões, como São Paulo, 70% da poluição do ar venha da combustão dos combustíveis fósseis, do escapamento de ônibus, carros e caminhões. Não é à toa que muitos países já colocaram em xeque o uso do diesel. Países como França, Alemanha e Noruega já anunciaram medidas para banir de suas estradas veículos e vans movidos a esse tipo de combustível e para melhorar a qualidade do ar.

No Brasil, as iniciativas ainda são tímidas nesse sentido. Único passo dado em direção a redução do uso do diesel foi dado em janeiro de 2008 (artigo 2º da Lei n° 11.097/2005), quando foi decidido que o biodiesel seria adicionado no diesel de uma forma muito modesta, iniciando com 2% e, ao longo dos anos, tendo um aumento gradativo até atingir 10% este ano.

A expectativa é que o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel seja revisada pelo governo, que deve enfrentar dificuldades para acertar as contas após a concessão do pacote de benesses para a categoria de transportes.

Onde começam as mudanças?

O Sistema de Informações de Qualidade do Ar, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), observou que a queda no tráfego, portanto menos veículos em circulação, durante a greve, levou à diminuição pela metade da poluição atmosférica. O uso dos combustíveis fósseis e os incentivos a isso são questões importantes para se reavaliar. Afinal, quem está pagando a conta no final é também a saúde.

A utilização dos biocombustíveis e diversificação da matriz energética brasileira é algo que deveria fazer parte das prioridades e não ser mais motivos das próximas crises. Do ponto de vista estratégico, os investimentos e incentivos à produção de combustíveis 100% renováveis podem ser uma alternativa interessante.

O biocombustível pode ser produzido em diferentes regiões do País, reduzindo a dependência das importações e a assim, o custo, bem como pode fomentar a economia familiar. Do ponto de vista ambiental é também positivo, uma vez que suas emissões de dióxido de carbono são bem menores.

Uma mudança de prioridades poderia impactar positivamente o meio ambiente e a economia. O primeiro passo é começarmos pela conscientização. Alternativas e soluções para reduzirmos os impactos gerados na natureza nós já temos. Agora, mais do que nunca, é preciso vontade e iniciativa para mudar.

Para quem quiser começar a fazer a sua parte hoje mesmo, convido para baixar gratuitamente o app CarbonZ. Com ele é possível calcular a sua pegada de carbono, bem como neutralizar seu impacto ambiental por meio do reflorestamento de áreas degradadas com espécie nativa, por meio do aplicativo.

Tudo é feito online. O app já proporcionou uma neutralização de aproximadamente 480.000 kg de CO2, (quatrocentos e oitenta mil quilos de dióxido de carbono), por meio do plantio de cerca de 3.200 mudas de árvores nativas em áreas degradadas.

Faça sua parte.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.