OPINIÃO
06/04/2016 11:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Quem vai pagar pela violência de seus manifestantes?

Manifestantes estão acampados em frente ao prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, desde a nova "mini-onda" de manifestações que ocorreram em São Paulo após a quase nomeação do ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil, na segunda quinzena de março.

Reprodução/TV Globo

Manifestantes estão acampados em frente ao prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, desde a nova "mini-onda" de manifestações que ocorreram em São Paulo após a quase nomeação do ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil, na segunda quinzena de março.

Inicialmente promovido pelos movimentos Vem pra Rua, MBL e Revoltados On Line, as manifestações perderem força, mas a ocupação continua. Cerca de 30 pessoas estão acampadas na calçada, onde criaram seu próprio "mundo perfeito". Mas, pelo jeito, qualquer pessoa que venha ameaçar esse território é visto como inimigo.

No dia 29 de março, o analista de sistemas Mattheus Soares passava pela Avenida Paulista com uma amiga sua, que acabava de vir de Curitiba. Ela nunca havia visto a avenida mais famosa da cidade antes. Os dois são apolíticos: ou seja, não acompanham necessariamente o que ocorre todos os dias em torno do cenário político brasileiro. Portanto, não sabiam que ali havia uma ocupação de manifestantes pró-impeachment.

A amiga de Mattheus, que usava um vestido vermelho, viu a bandeira do Brasil refletida no prédio da Fiesp. Achou lindo, quis ver de perto. E ai começou o problema.

Inicialmente foram apenas hostilizados. Gritos como "petralhas" e "bandidos" foram ditos pelos acampados. Mattheus não entendeu, mas preferiu sair de lá. Até o momento em que um dos manifestantes puxou o analista. A partir dai veio uma verdadeira sequência de agressões físicas inexplicáveis para alguém que esteja vivendo em um país teoricamente democrático.

Mattheus quebrou o nariz, ficou com machucados no ombro, cotovelo e cabeça. Sua amiga de Curitiba não quis ficar em São Paulo, com receio de ser perseguida pelos manifestantes.

A pergunta que fica é: quem vai pagar pelos danos cometidos por esses pessoas?

Vai ser a Fiesp, do oportunista profissional Paulo Skaf? Afinal, os manifestantes estão acampados em frente ao prédio. Não faz muito tempo a própria Fiesp fornecia alimentação para quem participava do acampamento.

Ou vai ser o Movimento Brasil Livre do Kim Kataguiri, junto com o Revoltados On Line? Afinal, foram eles que convocaram as manifestações. Foram eles que falaram que era preciso ocupar a Avenida Paulista até a presidenta Dilma Rousseff renunciar.

Talvez pode ser algum político da oposição, como o deputado Jair Bolsonaro (PSC), que adora proferir discurso de ódio e intolerância para a sua massa de seguidores desajustados.

Quem sabe, pode ser o próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB), não? Afinal, a sua Polícia Militar tratou todos os casos de violência partindo de manifestantes acampados na Avenida Paulista como algo "normal", "cotidianamente aceitável".

Por exemplo: Mattheus buscou ajuda de policiais após ser agredido, conforme reportado pela Agência Democratize em entrevista com o rapaz. Os policiais ajudaram? Não. Preferiram fazer pouco caso, ignorar o ocorrido, responsabilizar a vítima. Veja a entrevista com Mattheus abaixo:

Não é a primeira vez que isso acontece nos últimos 20 dias, na Avenida Paulista.

Um casal foi agredido no dia 16 do mês passado por manifestantes que ocupavam a avenida. A menina teria sido hostilizada por um homem que participava do protesto, e após ela não concordar com o manifestante, começaram as agressões.

Outro caso envolveu uma mulher que participava da própria manifestação, quando seu namorado tentou proteger um rapaz que vestia uma camiseta vermelha e passava pela Avenida Paulista, no dia 17 de março. No mesmo dia, um adolescente menor de idade foi perseguido e espancado por manifestantes, com socos na cabeça.

No mesmo dia que Mattheus foi espancado, uma manifestação organizada por estudantes secundaristas também foi alvo de hostilidade por parte dos acampados da Fiesp. Uma mulher acampada chegou a ameaçar uma estudante com um pedaço de ferro.

Enquanto isso, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos, é alvo da oposição por um possível discurso pregando violência. Trata-se da mesma oposição que ignora casos reais e concretos na Avenida Paulista, partindo de seus próprios manifestantes. Trágico, não?

Ironicamente, o Movimento Brasil Livre cobrou das autoridades no começo deste ano a responsabilização do Movimento Passe Livre em torno dos casos de violência e vandalismo nos protestos pela redução da tarifa em São Paulo. Eles chegaram até a "cobrir" as manifestações do Passe Livre, onde sempre faziam questão de apontar o "autoritarismo" dos Black Blocs e a violência em torno dos atos.

Pois é. Será que dessa vez o Movimento Brasil Livre será responsabilizado pelos danos físicos e emocionais causados contra pessoas reais, e não vidraças de bancos?

Acho que todos sabemos a resposta, infelizmente.

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