OPINIÃO
17/03/2016 16:46 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

A única alternativa para a esquerda são novas eleições

Alguns podem dizer: "não existe conjuntura para aventuras de extrema-esquerda". Não é extremismo. É trabalhar com a realidade em nosso favor. A esquerda perdeu o protagonismo das ruas, e agora decidiu se agarrar no Planalto. Se não existe conjuntura hoje, em 2016, imaginem em 2018. Pior, imaginem se Dilma Rousseff cair e a Lava Jato brecar posteriormente. A oposição sai fortalecida. A esquerda, única protagonista capaz de enxergar no sistema vigente a raíz da corrupção e dos problemas sociais, enfraquecida.

ASSOCIATED PRESS
A protester holds a sign that reads in Portuguese;

Ocupamos as ruas em 2013.

Naquele ano apanhamos tanto do Partido dos Trabalhadores quanto da oposição tucana e dos conservadores.

Intelectuais petistas nos chamaram de terroristas. Não por acaso, acabam de aprovar um projeto anti-terrorismo que de alguma forma pode influenciar na repressão e perseguição política contra ativistas. A direita odiou a "quebra da ordem". O governador Geraldo Alckmin (PSDB) mandou a polícia nos bater.

Naquele ano eu sabia que estávamos certos: os dois lados estavam contra.

Não se engane.

Não existe ruptura com o sistema vigente se você acaba agradando qualquer um dos dois.

Não se engane. A corrupção faz parte desse sistema vigente. O financiamento privado de campanha, que o PSDB tentou brecar no Congresso, é um reflexo disso. A lei anti-terror que será sancionada pela presidenta Dilma Rousseff também. Um reflexo do sistema vigente que, incomodado com o fato dos protestos de Junho de 2013 terem tomado tal proporção, resolveu criminalizar manifestantes e colocar o medo nas organizações sociais populares.

O impeachment de Dilma Rousseff não é ruptura com o sistema vigente. Os corruptores, aqueles que alimentam a corrupção, continuarão existindo. Os corruptos também - pelo menos do outro lado, da oposição. A Operação Lava Jato pode até continuar e pegar mais algumas figuras importantes. Mas em 2018 teremos novas eleições, e novamente banqueiros e empresários devem financiar políticos para a disputa de cargos, e amigos... Nada vem de graça.

A continuidade do governo Dilma também não representa nenhuma ruptura. Teremos a continuidade de um governo que pratica políticas de austeridade por conta dos próprios erros cometidos no passado. Um governo que na realidade não existe: refém de um Congresso ganancioso e movimentado por interesses pessoais, onde a figura de presidente da Câmara nunca representou tão bem a Casa: Eduardo Cunha, réu na Lava Jato.

Não se engane com as manifestações de verde e amarelo com discursos de pacifismo fisico e violência verbal. Eles incomodam apenas um lado. O outro, é amigo dos próprios organizadores. Não se esqueçam que Kim Kataguiri e seus colegas devem sair candidatos por partidos como o DEM, um dos mais corruptos do país.

É preciso tomar as ruas, sim.

Mas com outro objetivo. E não com eles.

É preciso tomar as ruas por novas eleições gerais, com termos democráticos e representativos, como:

1) Tempo igualitário em campanha eleitoral nas TVs e rádios

2) Sem financiamento privado de campanha

3) Debates democráticos

4) Criação de assembleias populares nas cidades e nas fábricas, onde o trabalhador possa debater de frente com outro trabalhador qual rumo o país deve tomar

Alguns podem dizer: "não existe conjuntura para aventuras de extrema-esquerda". Não é extremismo. É trabalhar com a realidade em nosso favor. A esquerda perdeu o protagonismo das ruas, e agora decidiu se agarrar no Planalto.

Se não existe conjuntura hoje, em 2016, imaginem em 2018. Pior, imaginem se Dilma Rousseff cair e a Lava Jato brecar posteriormente. A oposição sai fortalecida. A esquerda, única protagonista capaz de enxergar no sistema vigente a raíz da corrupção e dos problemas sociais, sai enfraquecida.

Novas eleições gerais, amplas e democráticas, com participação popular, são possíveis e podem ser a nossa única cartada. E pra isso precisamos ir pra rua. Mostrar para o Movimento Brasil Livre que, aquela multidão sem voz os seguiu por não ter nenhuma outra alternativa. A esquerda é a única vertente política e ideológica capaz de repetir os protestos de Junho de 2013. E se quisermos, o faremos.

Vamos fazer parte disso?

Nas ruas por direitos, pela democracia direta, e por novas eleições gerais!

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