OPINIÃO
19/03/2014 09:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

As discussões por trás de uma mostra de cinema

O processo de seleção e de programação de um festival de cinema é, quase sempre, surpreendente e fascinante. Entram em jogos múltiplos aspectos e objetivos, e o resultado é fruto dos conhecimentos, experiências e idiossincrasias dos integrantes dos comitês seletivos.

A Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, desde sua edição inaugural, em 2012, desenvolveu uma metodologia que considero exemplar - e ressalte-se que trabalho em eventos audiovisuais há 31 anos e, só em festivais internacionais, já participei das equipes de organização de 71 edições.

O evento socioambiental paulistano, fundado e dirigido por Chico Guariba, promove um extenso mapeamento da produção com essa temática, abarcando as mais recentes safras brasileira, latino-americana e internacional. Esse trabalho tem início logo ao final das exibições da mostra, e prossegue ao longo do ano.

Para a edição 2014, que começa nesta quinta, 20, uma equipe que inclui profissionais com experiência em curadoria, programação e organização de mostras e festivais debruçou-se sobre um universo de 1,2 mil títulos. Não escaparam desse mapeamento obras destacadas nos principais eventos socioambientais do planeta, nem títulos exibidos em vitrines como Cannes, Berlim, Veneza, Sundance, Roterdã, Locarno etc.

O interessante desse processo é que os "conhecimentos, experiências e idiossincrasias" do time de selecionadores reunido privilegiam, ao lado da relevância dos conteúdos, os aspectos estéticos e dramáticos, as questões de linguagem e de dramaturgia.

Assim, essas discussões - um trabalho árduo e longo -, tornam-se, também, um verdadeiro curso de cinema e audiovisual.

O resultado, uma programação de excelência, na qual os mais urgentes temas ligados às temáticas socioambientais, são focalizados em documentários, ficções e animações de grande prazer cinematográfico.

Para mim, integrar essa equipe é um orgulho e um aprendizado.