OPINIÃO
28/03/2016 16:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Como meu gato me ajudou a superar o câncer de mama

Assim que precisei raspar meus cabelos, não foi fácil. Eu estava muito triste. Foi quando minha prima veio com um gatinho tão feinho e judiado perguntando se a gente não poderia cuidar dele. Ela tinha encontrado ele abandonado em um terreno baldio. Ele estava sujo, tinha pouco pelo entre as orelhas, o rabo parecia de ratazana; aquele pequeno siamês precisava ir ao veterinário.

Quando eu fui diagnosticada com câncer, não teve outro jeito, fui parar na casa da minha avó.

O meu porto seguro sempre foi Florianópolis, mais exatamente na casa dela. Quando eu nasci ela ajudou a cuidar de mim, então eu queria estar lá, na casa dela, também em uma fase que eu precisava de cuidados e atenção.

Assim que precisei raspar meus cabelos, não foi fácil. Eu estava muito triste. Foi quando minha prima veio com um gatinho tão feinho e judiado perguntando se a gente não poderia cuidar dele.

Ela tinha encontrado ele abandonado em um terreno baldio. Ele estava sujo, tinha pouco pelo entre as orelhas, o rabo parecia de ratazana; aquele pequeno siamês precisava ir ao veterinário.

Todos os cuidados foram feitos. Ele tirou sangue, tomou vacinas, banho, eliminaram as pulgas, e assim pôde voltar pra casa, totalmente liberado para ficar tomando conta de mim.

Eu ficava muito em casa naquela fase e a gente se apegou muito. Parecia que ele sabia que naquela casa eu precisava de carinho.

Aonde eu ia, ele ia atrás. Se eu ia dormir ele já estava lá me esperando no lugarzinho dele na cama. Ele adorava o gosto da pasta de dente que saia da minha boca. Ensinei ele a tomar água da pia enquanto eu escovava os dentes. Se eu estava escrevendo no blog, ele queria participar também, sentir o calorzinho do teclado. Se ele achava que eu pudesse sentir frio na careca ele vinha me esquentar e fazia as vezes de chapeuzinho. Sempre teve muito cuidado com meus peitos, as vezes ele ia se deitar ali, parecia que ele sentia onde era mais doloroso pra mim: na cabeça e nos peitos.

E era um grude comigo. A medida que meus cabelos iam crescendo, Nino também crescia.

Os pets só fazem bem pra gente durante o tratamento, nos dão carinho, fazem a gente sorrir o tempo todo, afastam a depressão e ajudam no aumento da imunidade. E a companhia deles são as melhores.

Hoje eu moro em São Paulo e o Nino ficou na casa da minha avó em Florianópolis. Melhor pra ele porque viajo muito e seria muito ruim deixá-lo sozinho no apartamento. Floripa é a praia dele, onde tem uma casa com quintal, a liberdade de passear na rua quando quiser, comida de primeira, carinho da vó Kerta e do Gregorio.

Mas sempre que eu chego lá é uma festa. Eu chamo por ele, que sai do seu esconderijo preferido, no forro da minha cama, para me receber.

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