OPINIÃO
18/11/2015 19:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Tragédia em Mariana desperta comoção nas redes sociais

As redes sociais repercutem amplamente, com lamento e compaixão, um dos piores acidentes ambientais da História do Brasil.

Estadão Conteúdo

As redes sociais repercutem amplamente, com lamento e compaixão, um dos piores acidentes ambientais da História do Brasil. O rompimento de duas barragens de uma empresa de mineração em Bento Rodrigues, distrito do município de Mariana, em Minas Gerais, despertou uma corrente virtual de preces, pedidos de ajuda e demandas por justiça. No total, de acordo com levantamento da FGV/DAPP, a tragédia foi mencionada mais de 215 mil vezes no Twitter entre 06 e 13 de novembro, com a hashtag #sosriodoce como a mais utilizada pelos usuários, em referência ao principal rio da região, seriamente afetado pelo desastre.

São quatro as principais temáticas levantadas pelos usuários do Twitter: a tristeza quanto às mortes provocadas pelo acidente; os extensos danos materiais e naturais na região, cujo ecossistema foi gravemente afetado pelos resíduos de lama que vazaram com o rompimento das barragens; os pedidos de doações e as correntes de solidariedade; e as críticas às empresas de mineração relacionadas ao desastre, o tópico mais abordado na rede social durante a semana.

Os dois picos de menções no Twitter aconteceram no fim da tarde de 10 de novembro, terça-feira, e na manhã de 13 de novembro, sexta-feira, após a visita de autoridades do governo federal à região afetada, com sanções às empresas de mineração. Em ambos os períodos, houve picos de 120 tuítes por 30 minutos.

As imagens da tragédia

A FGV/DAPP também realizou o monitoramento de postagens geolocalizadas, em redes sociais, ao longo do Rio Doce, por onde passou o mar de lama que afetou localidades inteiras em Minas Gerais e no Espírito Santo. O mapa abaixo mostra postagens com fotos e vídeos selecionados de usuários de diversas redes sociais, em diferentes cidades afetadas pelo rompimento da barragem.

É relevante destacar as diferentes fases observadas em cada postagem exibida no mapa. Por exemplo, enquanto há o resgate de pessoas em Bento Rodrigues, Colatina já mostra esforços da população de coleta de peixes antes da chegada da lama. O monitoramento captou, no total, a atividade de 533 usuários, com quase 700 postagens relacionadas ao tema entre 05 de novembro e as 12h de quarta-feira, 18 de novembro.

Na pesquisa georreferenciada, o Instagram responde por 74% das postagens, e as palavras mais comuns são relacionadas às cidades afetadas - expressões de tristeza e menções à lama. Muitas fotos e vídeos mostram o antes e o depois da tragédia, como em uma postagem da cidade de Resplendor (MG); a situação do rio contaminado pela lama aparece em postagens de Rio Doce e de Ipatinga (MG); a situação dos peixes é evidenciada na publicação de Naque (MG). No período selecionado para monitoramento, as duas cidades com maior número de postagens foram Mariana e Governador Valadares.

Nuvem de palavras

Para ilustrar a discussão sobre a tragédia na internet, a FGV/DAPP construiu uma nuvem com as palavras e temáticas mais usadas pelos usuários. É possível observar expressões que fazem alusão aos locais afetados pelo acidente, com maior destaque para Mariana, local das barragens rompidas: é a palavra mais citada, junto do distrito de Bento Rodrigues. A discussão sobre os problemas no abastecimento de água em Governador Valadares também alcançou uma repercussão significativa, e, além disso, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo foram ambos citados.

A polêmica sobre o papel do Estado pode ser observada na presença de menções à presidente Dilma Rousseff, ao Ibama e à multa de 250 milhões de reais aplicada às empresas mineradoras, que são bastante criticadas nas redes. A hashtag #SOSRioDoce foi a mais ativa durante os sete dias posteriores ao desastre. As palavras "tragédia", "vítimas", "desaparecidos", "bombeiros" e "doações", entre outras, refletem a onda de comoção gerada. As redes sociais têm sido importantes na divulgação de pedidos de ajuda e de materiais necessários às populações afetadas.

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