OPINIÃO
25/12/2015 12:19 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

O que as personagens das séries nos ensinaram em 2015?

Esse ano foi ótimo para as mulheres na televisão americana. Com personagens negras, latinas, do passado e do presente, as séries nos deram algumas das melhores caracterizações femininas que poderíamos querer

Esse ano foi ótimo para as mulheres na televisão americana. Com personagens negras, latinas, do passado e do presente, as séries nos deram algumas das melhores caracterizações femininas que poderíamos querer! Claro que o caminho ainda é longo, mas, em homenagem ao ano que está acabando, vai aqui uma lista de tudo que aprendemos com essas mulheres maravilhosas <3

Jessica Jones

Lançada pela Netflix em novembro, Jessica Jones é uma das séries mais faladas dos últimos tempos e conseguiu uma legião de fãs pelo mundo todo! A série é uma adaptação das HQs da heroína, e se foca especificamente na vida dela após passar meses sob o domínio de Kilgrave, um cara que tem o poder de controlar a mente das pessoas.

Esse ano, Jessica nos ensinou que superar um relacionamento abusivo é (muito) difícil, mas não impossível. Ao longo do tempo em que esteve com Kilgrave, Jessica sofreu com diferentes formas de abusos - que vão do sexual até o psicológico e físico. Ela nos mostrou que lidar com os traumas que vem depois desse tipo de relacionamento é necessário, e que uma super-heroína não está livre do sofrimento e não é fraca por ter depressão ou algum outro distúrbio psicológico.

Jane Villanueva

Jane the Virgin é uma série da CW que merecia um texto a parte. Ela mostra a vida de Jane, uma mulher (virgem, daí o nome do seriado) que é noiva de um policial, mas acaba sendo artificialmente inseminada com o esperma de outro homem (que era seu crush de anos atrás). O enredo parece meio bobo, mas JTV é, hoje, uma das melhores séries exibidas nos EUA - inclusive, a protagonista Gina Rodriguez ganhou o Golden Globe de melhor atriz esse ano! A série é construída em um formato que lembra uma novela, e a muitos de seus personagens são latinos. Em uma tacada só, JTV joga no chão diversos estereótipos.

Ao contrário de diversos filmes que transformam suas protagonistas virgens em monstrinhos desastrados, Jane nos dá uma mulher que não liga para o fato de ser virgem - não sente vergonha e, muito menos, está contando os dias até achar o tal do cara certo que tirará sua virgindade.

Na primeira temporada, o plot principal era Jane lidando com a ideia de ser mãe e em como isso afetaria sua vida. Em seu segundo ano, JTV também nos pinta um retrato muito menos glamourizado da maternidade, um que nos mostra os perrengues que uma mãe de primeira viagem (solteira e que quer voltar a estudar) passa ao decidir ter um bebê - e tudo isso enquanto escreve seu primeiro livro! Por sorte, a Jane tem uma mãe e uma avó incríveis (Xio e Alba, beijos <3), que juntas formam o relacionamento mais importante dessa série.

Annalise Keating

How To Get Away WIth Murder é uma série que todos - literalmente TODOS - amam, e boa parte da razão disso acontecer é a presença da maravilhosa da Viola Davis no elenco. Interpretando a advogada Annalise Keating, Viola já ganhou Emmy e SAG (e meu amor eterno) pelo papel.

Annalise dá representatividade a mulheres negras - e, aliás, é uma das poucas protagonistas na TV americana que são negras e estão em uma posição de poder (ela dá aulas de direito em uma universidade e tem sua própria firma de advocacia). Além disso, a bissexualidade de Annalise é retratada de uma forma muito natural e dinâmica na série. A lista de defeitos de Annalise não é pequena - muito pelo contrário, ela passa longe de ser a mocinha - mas a personagem já provou ser a personificação da autonomia e independência das mulheres, e é de fato quem faz tudo acontecer em HTGAWM.

Peggy Carter

Peggy é a protagonista de Agent Carter - um seriado que se foca na personagem enquanto ela tenta viver sua vida sem Steve Rogers (também conhecido como Capitão América).

Apesar de não ter desenvolvido super poderes (ainda?) na série, Peggy é uma heroína que vai muito além disso. Vivendo em 1946, Carter é o que talvez seja considerado o protótipo de uma feminista. Ela literalmente luta contra e escancara o sexismo todos os dias - seja com seus amigos, na rua ou no trabalho. Peggy desafia estereótipos femininos a cada episódio e sempre acaba mostrando que faz tudo bem melhor que qualquer outro homem que esteja com ela.

Lagertha

Não poderia deixar dessa lista a paixão da minha vida: A Lagertha, de Vikings <3

Lagertha é uma guerreira viking (sim), que começa a série casada com Ragnar, um guerreiro nórdico. Logo no começo, vemos que ela está renegada em casa cuidando dos filhos enquanto o marido sai para lutar. Nesse momento, também, vemos uma cena em que um homem invade sua casa e tenta estupra-la. Já acostumada com o efeito Game of Thrones, já me preparava para o pior - mas, para minha surpresa, a cena segue com Lagertha literalmente acabando na porrada com o cara, e vencendo. Essa é a primeira vez que temos uma pequena noção de como essa personagem é forte.

Contudo, a força de Lagertha também transpassa o poder físico - ela inclusive dá um show de sororidade ao culpar seu marido, e não a amante - com quem ela posteriormente constrói um tipo de amizade -, por ter sido traída. E é ela, também, que decide sair do relacionamento após Ragnar pedir para ficar com as duas. Lagertha também se envolve num relacionamento extremamente difícil e abusivo depois de se separar de Ragnar - e, mais uma vez, sai dessa situação sozinha, sem cair naquela história de "a donzela indefesa", e se torna condessa de suas próprias terras.

Abby Griffin

Abby não é a escolha mais óbvia de The 100 - que sim, é uma série adolescente da CW, mas que tem personagens incríveis! Podia colocar aqui a Raven, a Clarke, a Octavia, a Lexa, a Indra, até mesmo a Anya - qualquer uma delas facilmente nos ensinou alguma coisa.

Escolhi a Abby porque, além de ser minha favorita, é uma das únicas personagens nessa lista que, na verdade, aprendeu todas as lições que tinha para aprender junto com a gente. Se a storyline dela na primeira temporada era chegar até a filha, na segunda foi se adaptar ao mundo e a largar algumas certezas muito enraizadas que tinha na Arca. Abby aprendeu junto com a gente que o mundo não é preto e branco.

Sei que colocá-la aqui é algo no mínimo controverso no fandom (PODERIA ESCREVER UMA BÍBLIA SOBRE PORQUE ESSA MULHER É UMA DAS MELHORES PERSONAGENS DE THE 100), mas não fiz isso por ela ser perfeita. Na verdade, a Abby escorregou muito, tomou muitas atitudes que eu particularmente não concordei, aprendeu algumas coisas da pior forma possível. Ao longo da temporada, Abby se posicionou para ser a Chancellor (uma espécie de presidente) de Camp Jaha e lutou com unhas e dentes pelo que acreditava ser certo, e isso tudo a fez um dos melhores exemplos de como a experiência pode modificar alguém e que nada é tão 8 ou 80 quanto parece.

Kimmy Schmidt

A personagem principal de Unbreakable Kimmy Schmidt é uma lição de como se adaptar ao mundo moderno. Kimmy é uma garota que, aos 15 anos, foi sequestrada - e viveu por anos em cativeiro junto a um pastor e a outras mulheres que acreditavam ser os últimos humanos vivos.

Apesar de ser uma comédia estilo Tina Fey (amo), já em seu primeiro episódio, Kimmy é libertada e tem que lidar com seus traumas. Ao contrário das outras mulheres, Kimmy decide não voltar para sua cidade natal, e, ao invés disso, começa a procurar emprego em NYC. Se recusando a aceitar a fama repentina, e o dinheiro que vem com ela, Kimmy acaba "vencendo na vida" de outra forma - e o espírito dela de que tudo vai dar certo e de que devemos acreditar nas nossas ideias é uma ótima lição para tirarmos da série!

As mulheres de Orange Is The New Black

Sei que a retranca ficou meio simplista - e é mesmo - mas eu não consigo escolher uma personagem só dessa série maravilhosa. OITNB é uma das melhores e mais feministas séries que existe hoje em dia - mas já falei disso aqui. Nesse ano, todas as detentas foram muito importantes e todas elas nos ensinaram várias coisas. Seja a Pennsatucky lidando com estupro e aborto, ou a Daya engatinhando na sua experiência como mãe, ou mesmo a Piper (tsc) conseguindo até tatuar sua própria costela sozinha. Também teve a Alex nos mostrando que personagens reais não saem emocionalmente intactas de todas as situações que passam. E tivemos a Boo, que mandou um big hetero hello to all of us e nos fez enxergar como se assumir para sua própria família pode ser difícil, e que nem todas essas situações acabam de um jeito feliz. E a Suzanne descobrindo o amor. E a Taystee com suas novas funções como mãe do grupo. E TODO MUNDO GENTE NÃO CONSIGO ESCOLHER <3

***

OBS: Sei que tem muitas outras representações maravilhosas (Leslie Knope, Rae Earl, Claire Temple), e me sinto bem mal de deixar tanta personagem maravilhosa de fora daqui...Também tem tantas outras séries que eu não assisto, e por isso muitas moças incríveis não ficaram na lista. Mas fica ai meu amor por todas, mesmo as que eu não conheço, e a noção de que o importante é que, pouco a pouco, estamos vendo muito progresso na televisão <3

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