OPINIÃO
04/11/2014 15:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Mude o mundo, não seu corpo

Quando eu era considerada gorda para a sociedade, a única coisa que as pessoas sabiam de mim é que eu era gorda. Eu estava rotulada como uma preguiçosa ou uma vergonha para o "padrão de corpo e beleza". Me respondam: vocês se acham bonitos? Pois eu me acho linda!

Fernanda Fahel

Quando eu era considerada gorda para a sociedade, a única coisa que as pessoas sabiam de mim é que eu era gorda. Eu estava rotulada como uma preguiçosa ou uma vergonha para o "padrão de corpo e beleza".

Eu também era o pior pesadelo para alguns. Era a razão de certas pessoas irem para a academia, porque tinham medo de que se tornassem como eu. Era a razão para elas fazerem tantas dietas e para terem tantos remédios emagrecedores [enganadores]. Essas pessoas fazem de tudo e chegam a prejudicar a própria saúde, só para não terem o corpo que eu tinha.

Me respondam: vocês se acham bonitos? Pois eu me acho linda! Podem me chamar de convencida, eu não ligo. Antes de tudo, EU preciso me sentir bonita.

A forma como vemos o nosso corpo determina a forma de participar do mundo. Baixa autoestima pode levar a medos de relacionamento, emprego, diversão... Já vi muita gente que prefere morrer do que viver nos corpos que habitam. Eu já fui assim e me recuperei desses pensamentos. Se eu consegui, você também consegue!

O mundo e essa ideia do "padrão de beleza" precisam mudar. E você pode fazer isso da seguinte forma: sendo feliz com o próprio corpo. Afinal, a felicidade não tem tamanho, a aceitação também não. Então, por que os corpos e as roupas precisam ter um tamanho pré-determinado?

Recentemente, li a respeito de uma palestra feita por Jess Baker, fundadora da Body Love Conference. Ela diz que, em geral, quando olhamos para pessoas gordas, sentimos repulsa, nojo, ódio e até diversão. E a razão para essas reações, mesmo que involuntárias, é porque corpos gordos só são retratados em nossos meios de comunicação de três maneiras: engraçado, estúpido ou como vilões.

Jess cita o exemplo de alguns personagens com excesso de peso, como Homer Simpson, Peter Griffin, Jabba the Hutt e Ursula da Pequena Sereia, provando sua teoria. "Quando vemos alguém gordo ser o herói, quando vemos alguém gordo ser sexy, nossos cérebros travam porque não sabem como processar essa ideia", disse ela em sua palestra.

Se mudarmos a forma como NÓS agimos em relação ao nosso corpo, as mídias serão obrigadas a modificar como retratam esses personagens. Vão parar também de forçar nossa autodepreciação e as dietas enganosas.

Então, mude o mundo, não seu corpo! Fale para si mesmo hoje e todos os dias: eu me acho lind@!

Texto publicado originalmente no blog Despedida de Ana e Mia.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

TAMBÉM NO BRASIL POST:

Galeria de Fotos Propaganda contra a "loucura" da beleza Veja Fotos