OPINIÃO
02/12/2014 19:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Alta do dólar: como economizar na sua viagem para o exterior

Bloomberg via Getty Images
A cashier holds a U.S. one dollar bill at the checkout inside a Kmart discount store, operated Sears Holdings Corp., ahead of Black Friday in Frankfort, Kentucky, U.S., on Thursday, Nov. 27, 2014. An estimated 140 million U.S. shoppers are expected to hit stores and the Web this weekend in search of discounts, kicking off what retailers predict will be the best holiday season in three years. Photographer: Luke Sharrett/Bloomberg via Getty Images

Diante de uma quase incontrolável e imprevisível cotação do dólar americano, a pergunta que mais me fazem atualmente é: como evitar gastar mais do que posso em minha viagem ao exterior?

Essa questão vem principalmente daqueles turistas que compraram suas passagens aéreas há muito tempo, quando o dólar ainda não assustava tanto, e agora se vêem em uma sinuca de bico, com o transporte pago mas todas as outras despesas por vir.

Reuni então minhas principais práticas para não sofrer com a variação do câmbio e garantir viagens tranquilas e sem sustos com a fatura do cartão de crédito na volta.

1. Planeje a compra dos dólares

Em tempos de incerteza, não deixe para comprar dólares na última hora. A melhor dica é ir comprando os dólares aos poucos, pois se a cotação subir, você já comprou uma parte por um valor melhor e se cair, você ainda poderá comprar com um câmbio vantajoso.

Esse é o meu método para aliviar o peso na consciência depois da compra e evitar a ansiedade do questionamento "será que eu compro dólar agora ou espero mais um pouquinho?"

Comprando com antecedência, você também evita as casas de câmbio dos aeroportos, que tendem a ter um câmbio menos competitivo e cobrar uma tal de "taxa de conveniência", quase nunca praticada pelas lojas fora dali.

2. Esconda bem o seu cartão de crédito

O cartão de crédito seria a melhor forma de se comprar no exterior, não fosse o reajuste do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros) para esse tipo de operação. A cada compra usando o cartão de crédito, o turista desembolsa 6,38% a mais na fatura. Poderíamos até dizer que se o câmbio utilizado pela operadora do cartão fosse R$ 2,65, o valor seria na realidade convertido por R$ 2,82.

Além da questão tributária, usar o cartão de crédito no exterior deixa o turista a mercê da variação cambial, já que a cotação utilizada é a do dia do pagamento da fatura e não da data da compra. Ou seja, se o dólar subir, mesmo após a viagem, o consumidor é quem vai pagar por essa diferença.

Por outro lado, nunca recomendo viajar sem o cartão: ele pode ser importante em um momento de emergência. Mas até lá, deixe-o bem escondido na carteira.

3. Fique esperto com as agências online

Muitas agências de turismo online presentes no Brasil fazem parte de organizações globais e com sede em outros países. Isso significa que mesmo que os valores na reserva de hotéis, vôos e aluguel de carro sejam exibidos em reais, a cobrança após a confirmação da compra pode vir em dólares. E aí quem paga o IOF e a variação cambial é mais uma vez o turista desavisado.

Por isso, procure se informar antes como será feita a cobrança no cartão de crédito em cada site que está pesquisando. Uma outra dica que descobri recentemente em um grande site de reserva de hotéis é que ao selecionar a opção de pagamento parcelado, a agência fazia a cobrança no Brasil, já na opção à vista, a cobrança era feita no exterior.

4. Cuidado com compras em reais no exterior

Ao receber centenas de milhares de turistas brasileiros todos os anos, o comércio de países como os Estados Unidos criou uma inteligente ferramenta: a cobrança em moeda estrangeira. Com isso, o brasileiro que comprava nos outlets de Miami ou Orlando, tinha a opção de comprar no cartão, em reais, sem a cobrança de IOF e ainda com um câmbio bem favorável.

Ao perceber o "esquema" o Banco Central resolveu cortar o barato dos gastadores e passou a bloquear os lançamentos feitos em reais por sites ou lojas baseadas fora do Brasil.

Os poucos bancos ou cartões que porventura deixam alguma compra em reais passar, acabam por lesar ainda mais o consumidor fazendo o câmbio para dólar e depois novamente para reais, inflacionando a níveis estratosféricos o valor total na fatura. Por isso, sempre recuse caso a loja ou o site te oferecer a cobrança da compra em reais.

5. Use dinheiro em espécie e o cartão pré-pago

O melhor jeito de se comprar moeda estrangeira atualmente é o bom e velho cash. Indo na contramão do resto do mundo, as mudanças feitas pelo governo para tentar frear o consumo no exterior acabaram por privilegiar a compra de moeda em espécie. Apesar da insegurança em se viajar com dinheiro vivo, os brasileiros voltaram a levar os dólares por exterior e optar por convertê-los em créditos de cartões de viagem e giftcards que podem ser carregados e utilizados nas compras.

Os ora famosos cartões pré-pagos, agora também sob o fantasma do IOF de 6,38%, ainda permanecem como uma boa opção para alguns turistas, por justificarem um câmbio levemente menor do que o papel moeda, e não sofrerem a variação com o tempo.

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