OPINIÃO
26/05/2014 10:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

5 coisas que eu não sabia sobre minha mãe até que tive minha filha

Como a maioria das crianças de 4 anos faz com suas mães, minha filha me entrega lixo o dia todo -- embalagens de lanches, guardanapos usados, canetas que não funcionam. Ela também me dá sua boneca quando está pronta para andar de patinete, seu abrigo quando fica quente demais e a folha que ela teve de apanhar mas não consegue manter nas mãos. Eu não tenho uma bolsa grande o suficiente para guardar todos os itens encontrados que coleciono em uma única saída.

E é por isso que, em uma reunião de família recente, quando minha filha me entregou a parte posterior de um adesivo que ela acabara de pregar na testa, só havia uma coisa a fazer. Revirei os olhos e a entreguei para minha mãe. Que a jogou fora.

Ser mãe deveria ter me curado de contar com minha mãe para tudo. Só que não parece funcionar dessa maneira. É um processo. A cada marco que eu cruzo como mãe, faço uma nova descoberta sobre minha mãe. Por exemplo:

1. Sempre havia mais coisas em nossa história que eu não sabia.

Talvez a parte mais difícil da maternidade recente seja perceber que todas as antigas memórias serão invisíveis para nosso filho. A minha de 4 anos já não se lembra de que eu a segurava durante horas enquanto ela dormia, quando bebê. Quando ela tiver 16 anos, certamente não vai se lembrar de escrever uma história boba sobre ela comigo no museu ontem, por mais divertida que fosse.

Minha mãe me conta sobre experiências como essa -- mas as que ela teve comigo quando era bebê e criança --, e isso me fez perceber que ela trazia muitas lembranças de todos os momentos que vivemos juntas. Ela sabe mais sobre mim que qualquer outra pessoa, até eu mesma. Ela vê o bebê que eu já fui, a criança que me tornei e a adulta que sou hoje, tudo ao mesmo tempo.

2. E é por isso que ela quer que eu vá dormir.

Quando eu chorei ao telefone para minha mãe por ter um bebê que tinha de ser embalado toda noite para dormir e não se aquietava, eu disse: "Eu apenas quero que ela durma. Isso é pedir demais?" E ela disse: "Certo. É isso que eu penso".

Em outras palavras, se você passa os primeiros oito ou nove anos de sua filha implorando para que ela vá dormir, será um hábito difícil de eliminar. Recentemente, minha mãe me disse que uma das melhores noites de sua vida foi quando ela percebeu que eu era grande o suficiente para ficar acordada sem ela.

3. Minha tristeza também a machuca.

Não era só porque ela mesma não queria ficar acordada até tarde que me pedia para ir dormir. É função de um pai ou uma mãe manter seu filho(a) saudável, e os bons hábitos de sono, você aprende logo no início, são uma parte desse desafio tanto quanto ensinar uma pessoa pequena a gostar de legumes e a escovar os dentes, mesmo quando vocês duas sentem preguiça. Mas minha mãe também sabe que o cansaço me transforma em uma chorona depressiva. Agora já vi minha filha chorar centenas de vezes -- porque sua barra de cereais caiu no chão, porque ela não quer que eu saia do playground, porque ela quer seu CD no carro... Mas e quando ela chora lágrimas de verdade porque está com medo, ou com dor, ou realmente triste? São os momentos que eu mais odeio. Eles me esmagam.

4. Ela realmente queria saber tudo sobre o meu dia -- e talvez ainda queira.

Quatro anos está se tornando minha idade favorita até agora, principalmente porque minha filha dominou a arte de contar histórias. Além disso, ela tem a capacidade de realmente lembrar-se de sua manhã, o que torna suas anedotas ainda melhores. Sempre que minha mãe me deixava tagarelar sobre meu dia, sem que eu perguntasse nada sobre o dela, era agradável, mas eu acho que finalmente entendi por que ela queria que eu o fizesse.

5. Ela é ainda mais forte do que eu pensava.

Meu marido trabalha à noite e nos fins de semana. É difícil para mim trabalhar em período integral e estar disposta à noite para minha filha, e cuidar dela o fim de semana inteiro sem meu parceiro às vezes parece um esporte radical. Mas não sou de fato uma mãe solteira, como ela foi. Ela fazia tudo sozinha. Todos os dias. Sabendo hoje o que isso significa, eu não poderia ficar mais espantada.

"Free to Be You And Me" me ensinou que as Mães São Gente. Tornar-me adulta e conhecer minha mãe como uma pessoa adulta reforçou isso. Mas ter um bebê me mostrou que as mães também são definidas pela maternidade. Somos guardiãs de objetos, histórias e emoções. E esses são papéis que você não pode compreender totalmente enquanto não for mãe também.

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