OPINIÃO
28/04/2015 19:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

As ambições globais da China

Já é oficial: no final do ano passado, o FMI confirmou que a China passou a ter a maior economia do mundo. O PIB chinês ultrapassou o dos Estados Unidos, pelo menos em termos de Poder de Paridade de Compra (PPC) - um critério mais consistente para traduzir os custos internos de bens e serviços. Por esta medida, os chineses alcançaram 17,6 trilhões de dólares ante 17,4 trilhões de dólares dos norte-americanos. É verdade que, em termos de PIB real, os EUA ainda estão na frente, mas muitas projeções indicam que essa posição não se sustentará até o final da década.

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Já é oficial: no final do ano passado, o FMI confirmou que a China passou a ter a maior economia do mundo. O PIB chinês ultrapassou o dos Estados Unidos, pelo menos em termos de Poder de Paridade de Compra (PPC) - um critério mais consistente para traduzir os custos internos de bens e serviços. Por esta medida, os chineses alcançaram 17,6 trilhões de dólares ante 17,4 trilhões de dólares dos norte-americanos. É verdade que, em termos de PIB real, os EUA ainda estão na frente, mas muitas projeções indicam que essa posição não se sustentará até o final da década.

Uma das grandes questões deste século é justamente saber de que forma toda essa pujança econômica da China influenciará suas ambições internacionais. Estaria Pequim tentada a aventuras expansionistas? Como os chineses podem alterar o atual sistema mundial para seu benefício? E o mais importante: a China ousaria encarar os EUA - a maior potência militar do planeta - em alguma disputa? Em suma, a questão é saber se a ascensão chinesa ocorrerá de forma pacífica ou belicosa.

Apesar da forte relação de interdependência econômica entre China e EUA, ainda há muitas sombras sobre as possíveis zonas de enfrentamento nesta relação bilateral. Alguns importantes fatos nestes primeiros meses de 2015 mostram como Pequim vem adotando uma postura bem mais assertiva no âmbito global, numa diplomacia econômica que consolida seu status político internacional e justifica por que a China é a única potência capaz de fazer frente à hegemonia norte-americana.

LÍDER CARISMÁTICO

Seja no plano doméstico, regional ou internacional, a China sob a liderança do presidente Xi Jinping (no poder desde 2013) parece mais disposta a enfrentar os desafios por muito tempo postergados durante o governo de seu antecessor, Hu Jintao (2003-2013).

Internamente, o atual presidente se consolida como o chefe de Estado mais forte desde Deng Xiaoping (1978-1992). Com uma liderança carismática e centralizadora, Xi Jinping vem comandando uma ampla campanha de combate a corrupção. Ao colocar sob investigação altos dirigentes do Partido Comunista e oficiais graduados das Forças Armadas, Xi Jinping caiu nas graças da população, ressuscitando um culto à personalidade inédito desde a morte de Mao Tsé-Tung.

Parece que para muitos chineses pouco importa se esta campanha é feita de forma seletiva, uma espécie de expurgo que mira principalmente facções do partido não alinhadas com o presidente. E que também, a reboque da repressão à corrupção, esteja em vigor um cerco ao ativismo humanitário e às ações da sociedade civil. Segundo a ONG Defensores dos Direitos Humanos na China (CHRD) cerca de mil defensores dos direitos humanos foram presos em 2014, o pior registro desde os anos 1990.

FORÇA REGIONAL

Contribui muito para a popularidade de Xi Jinping a sua postura explicitamente nacionalista. Desde que assumiu o poder, o presidente vem adotando medidas que reforçam as ambições regionais chinesas. A disputa com o Japão pela posse das ilhas Daoyou/Senkaku, por exemplo, tem amplo amparo da população, reforçando o antagonismo com o histórico rival.

Da mesma forma, as reivindicações chinesas por vastas áreas no Mar do Sul da China estimulam o orgulho nacional dos chineses. O governo chinês não está nem um pouco preocupado com as reclamações de Vietnã, Filipinas, Brunei, Malásia e Taiwan, que também reivindicam a soberania da região. Pequim já deixou bem claro que não abre mão do controle sobre esta importante área para a indústria da pesca, rica em reservas de petróleo e estrategicamente fundamental para o transporte marítimo.

Nestes primeiros meses do ano, o país acelerou as obras para criação de ilhas artificiais no Mar do Sul da China, próximas ao arquipélago de Spratly. Sempre bastante evasivo quando se trata de justificar a posse da região, o Ministério das Relações Exteriores não se furtou a afirmar, em abril, que as ilhas artificiais poderão, sim, ser utilizada para fins militares. Imagens de satélite mostram obras para a construção de uma pista de concreto, que seria utilizada para pouso e decolagem de caças.

AMBIÇÕES GLOBAIS

As relações comerciais da China com o continente africano já são bastante conhecidas e não param de crescer. Sedenta por itens como ferro, cobre, carvão e, principalmente, petróleo, o país aumentou o comércio com a África em 20 vezes desde o início do século. Como 15% de todo o seu petróleo vem dos africanos, os chineses deixaram de fazer vista grossa à situação política do continente e passaram a agir quando a instabilidade afetar diretamente o fluxo comercial. Em 2013, numa atitude pouco comum, Pequim aceitou enviar tropas para tentar conter as revoltas no Mali e, no ano seguinte, participou das negociações de paz no Sudão do Sul.

Até mesmo na América Latina, uma área de influência norte-americana, os chineses mostram-se mais ousados. Tanto é que, em janeiro, Pequim sediou um fórum com os países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para discutir projetos de cooperação. O presidente Xi Jinping comprometeu-se a direcionar investimentos da ordem de 250 bilhões de dólares nos próximos 10 anos. Já estão em pleno vapor as obras para a construção de um canal interoceânico na Nicarágua. Bancado pela empresa chinesa HKND a um custo de 50 bilhões de dólares, o megaprojeto irá competir com o canal do Panamá quando for inaugurado. Enquanto Washington patina para colocar em prática seu pivô asiático (uma estratégia na qual tornaria a região do Pacífico uma prioridade para seus esforços geopolíticos), o pivô latino-americano da China já é uma realidade.

Mas o projeto mais ambicioso responde pelo instigante nome de "Nova Rota da Seda", em referência à antiga rota comercial que ligava Europa e Oriente. Em fevereiro, as autoridades chinesas forneceram mais detalhes sobre este corredor econômico, composto por estradas, ferrovias, oleodutos e cabos de fibra ótica, que irão conectar a China à Europa, por via terrestre e marítima. Para desenvolver este projeto de integração eurasiana, a China criou um fundo 40 bilhões de dólares, que serão investidos em obras de infraestrutura nos países vizinhos. Como parte deste projeto de integração, em abril, Xi Jinping anunciou uma parceria com o Paquistão para obras de transporte de matérias-primas, o que permitirá aos chineses ter acesso a um porto próximo ao Golfo Pérsico.

Em outro largo passo para aumentar sua influência global, a China avança na criação do Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (AIIB), cujo objetivo é financiar obras de infraestrutura em países em desenvolvimento na Ásia. Em abril, o governo divulgou que a instituição contará com 57 nações que serão membros-fundadores, incluindo o Brasil, além de países do G7 como Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Com um capital de 100 bilhões de dólares, o banco deve se consolidar como uma alternativa a instituições como o Banco Mundial e o FMI. Não à toa, os norte-americanos criticaram a criação do AIIB, acusando a China de utilizá-lo como instrumento político - como se o sistema Breton Woods não tivesse nenhuma influência de Washington.

Não restam dúvidas de que a diplomacia econômica de Pequim começa a afetar diretamente os interesses norte-americanos. Agora é difícil mensurar até que ponto esta postura mais ofensiva da China pode fazer frente à hegemonia internacional dos EUA. De todo modo, Xi Jinping habilmente consolida seu poder no ambiente doméstico enquanto move suas peças no tabuleiro geopolítico mundial de forma estratégica e pragmática - como todo bom aspirante a potência global faria.