OPINIÃO
23/02/2015 16:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

São Paulo caiu no samba

Definitivamente, o paulistano caiu no samba, foi atrás do trio elétrico e viu que dá, sim, para andar nas ruas de SP sem estar preso em um carro - ou numa passeata que corta a Paulista. (Aliás, esse movimento de pertencimento se intensificou nas passeatas de junho, há dois anos!) Nesse sentido, eu vejo iniciativas populares, como a "invasão da largo da batata" e as festas enormes em lugares como o Minhocão, da Praça Roosevelt ou do Cine Marrocos, como ótimas alternativas de ocupação da cidade para além do caminho que o "Waze" oferece.

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Bloco de carnaval do CCBB passou pela Vale do Anhangabaú.Programação paralela do Existe Amor em SP durante o aniversário de São Paulo no Vale do Anhangabaú. 25/01/13(CC BY-SA Overmundo)

Qualquer texto que fale sobre São Paulo é reducionista. A cidade é tão "giga" em tudo, que o máximo que se consegue fazer é um recorte. E olhe lá...

Assumindo esse reducionismo, para mim, a grande marca de São Paulo (e dos paulistanos) são as "ilhas" de moradia e lazer. E a cidade é apenas "aquilo" que separa NOSSA casa do NOSSO trabalho... NOSSA casa do NOSSO cineminha... E para chegar até lá, encaramos no geral uns 30 minutos de carro - preocupados em achar o caminho sem "tráfego carregado".

Ou seja, nossa relação com a cidade onde habitamos, vivemos e criamos nossos filhos se resume à escolha da via mais rápida. Mais segura. Com ou sem CET.

A situação chega a tal ponto que o fato de você trabalhar do lado de casa (e a sua "cidade" ter apenas três quadras) é um grande privilégio. Aí, quando vamos aos EUA, achamos incrível a High Line de Nova Iorque.

Felizmente isso parece que está mudando. E um dos sinais mais evidentes disso veio através do samba - e das imortais marchinhas. Quem diria que São Paulo (nenhum paulista chama a cidade de Sampa) veria uma verdadeira invasão de blocos de rua durante o carnaval?

Para se ter ideia, há três anos os blocos não passavam de 30 e a cidade ficava vazia durante a folia. Este ano, tivemos mais de 300. Dois milhões de pessoas na rua! (Clique aqui)

Definitivamente, o paulistano caiu no samba, foi atrás do trio elétrico e viu que dá, sim, para andar nas ruas de SP sem estar preso em um carro - ou numa passeata que corta a Paulista. (Aliás, esse movimento de pertencimento se intensificou nas passeatas de junho, há dois anos!)

Nesse sentido, eu vejo iniciativas populares, como a "invasão da largo da batata" e as festas enormes em lugares como o Minhocão, da Praça Roosevelt ou do Cine Marrocos, como ótimas alternativas de ocupação da cidade para além do caminho que o "Waze" oferece.

Tomara que isto tudo fortaleça esta ideia que a "nossa" cidade depende de nós. E que a folia do ano que vem seja maior que a desse ano. E menor que a do próximo. E que as ruas sejam tomadas de vez. Até que a High Line não nos cause mais inveja...