OPINIÃO
25/03/2015 17:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Quer pagar quanto?

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Você vai ao médico porque está querendo emagrecer. Entretanto, após uma bateria de exames ele descobre que, além do sobrepeso, você está com colesterol alto, diabetes etc. Imediatamente ele prescreve um plano de tratamento para atacar todos os problemas - dieta, remédios, acompanhamento médico... O que você faz?

A) Acata, afinal, com saúde não se brinca.

B) Escolhe apenas aquilo que vai te deixar mais magrinho.

Duvido que alguém tenha escolhido a opção B. Por que, então, quando vamos ao dentista essa parece ser sempre a alternativa mais atrativa.

Exemplo real. Há pouco tempo eu recebi em minha clínica uma paciente que estava muito incomodada com a estética de seu sorriso. Entretanto, durante a primeira consulta nós verificamos que, além disso, ela apresentava um problema periodontal. Desse modo, antes de cuidar da ESTÉTICA dos dentes, ela precisava cuidar da SAÚDE da gengiva.

Preparamos um plano de ação que previa sessões de periodontia (especialidade odontológica que, entre outras coisas, cuida da gengiva) antes e depois do tratamento estético. Uma praxe... ainda mais em casos de aplicação de facetas.

Todavia, quando a paciente recebeu o orçamento ela discordou. "Eu não quero fazer a parte da periodontia. Eu quero fazer só as facetas". Oi?

É muito louco o modo como nós fomos condicionados a encarar o tratamento odontológico. Ir ao dentista não é cuidar da saúde... mas é consumir alguma coisa... como se o consultório fosse uma loja de móveis planejados, com a qual vamos negociando o tamanho do armário da cozinha: "tá muito caro, tira isso". Entretanto, nos esquecemos que o corte no "orçamento" pode trazer problemas maiores que a falta de espaço para uma panela - com saúde não se brinca, lembram?!

Tentamos argumentar com a paciente. Ela bateu o pé. E eu? Pedi pra ela procurar outro dentista.