OPINIÃO
23/07/2015 16:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Quando foi que paramos de levar a brincadeira a sério?

'Tarja Branca' mexeu comigo. Um filme sério sobre uma sociedade cada vez mais "tarja preta".

Por algum motivo, o humor e o espírito leve não são levados a sério. Inclusive, a palavra "sério" conota algo mais verdadeiro, mais sólido. Na escala das emoções, o "riso" está lá no final. No leque de interesses "profundos", a pessoa na varanda com cara blasé olhando o horizonte parece mais interessante do que o "palhaço" que está dançando (e se divertindo) sozinho no meio da sala. O misterioso é sério. O inteligente é sério. O "cool" é sério.

Quando foi que isso aconteceu? Quando foi que dar uma risada alta em uma situação sisuda virou falta de educação?

Apesar de ter passado a vida construindo e reconstruindo sorrisos (sou dentista), eu não sei dizer ao certo. Mas acho que é na infância que isso acontece. Mais ou menos no momento em que levamos uma bronca daquelas por estarmos rindo sem parar na hora do jantar... ou por chegarmos tarde da rua porque passamos o dia brincando com os amiguinhos.

Que fique claro: estou falando de brincar mesmo. Não daquelas risadinhas irônicas dos nossos jantares com amigos. Ou mesmo das gargalhadas alcoolizadas (que são ótimas, claro). Me refiro às brincadeiras: mentais, artísticas, físicas... De sermos pessoas mais "brincantes".

Ao mesmo tempo em que não levamos a brincadeira a sério, pagamos alto por um ticket para o trem da felicidade. Queremos ser felizes e satisfeitos, mas sem mostrar os dentes. Sem suar a camisa de tanto correr - não na esteira ouvindo o último álbum daquela banda super "in" (o "in" é sério), mas com a criançada na praia. Até os brinquedos de adultos são sérios: o carro, o barco, o hobby. Arf. Para que eu quero descer... e brincar!

Claro que isso não significa ser um idiota e ignorar tudo que está acontecendo em nossa volta. Brincar é quase uma afirmação de vida. Algo como: eu sei que isso tudo não faz sentido, que no final do dia ainda temos contas para pagar, MAS "olha esse pião de madeira que era do meu avô que eu encontrei na gaveta".

Tudo isso para dizer que vi o filme "Tarja Branca - A Revolução que Faltava", que tenta resgatar o lúdico que existe em todos nós. Um filme que mexeu comigo. Que eu trouxe para os meus funcionários assistirem em uma grande sessão (bem-humorada!). Que me fez procurar fotos minhas de infância escondidas em caixas de sapatos. Que me deu vontade de resgatar os meus brinquedos e mostrar para o meu filho. Um filme sério (de novo!) sobre uma sociedade cada vez mais "tarja preta".

Boas brincadeiras à todos.

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