OPINIÃO
08/08/2014 17:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Fazer pelo outro o que faria por meu filho

Para mim, a paternidade foi uma experiência transformadora. Pensar "como um pai" é a forma que encontrei de me colocar no lugar do outro. Na dúvida, eu imagino o meu filho naquela situação e, imediatamente, sei que decisão tomar.

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Para mim, a paternidade foi uma experiência transformadora - como é possível amar tanto uma pessoa que acabara de conhecer?

Mas não foi só isso que mudou. Depois que meu filho nasceu, comecei a ver a vida de um modo completamente diferente. Foi como se tivesse recebido um novo filtro... E tudo o que senti ou vivi até então já não servia de parâmetro para mais nada. Principalmente o amor, que chegou a um nível tão grande, que parecia me corroer por dentro. Comecei a pensar em como faria um mundo legal pra ele: em que escola ele estudaria? Como seria o seu quarto? Quem seria o seu pediatra? O que faria com as tomadas de casa?

Coincidentemente, ou não (já não sei mais), nessa época eu tinha acabado de lançar o meu primeiro livro, "Um Sorriso Feliz para o seu Filho", com dicas de saúde bucal para pais e mães. Por conta disso, comecei a palestrar em escolas... Primeiro as particulares... Depois da rede pública.

Um dia, após ouvir tudo o que tinha a dizer, uma mãe veio até mim dizendo: "Tá Doutor, eu entendi tudo, mas olha como tá a boca do meu filho". Aquela boca toda estragada apareceu na minha frente. Voltei para casa pensando naquele menino e aquilo começou a me afligir. Eu sempre soube da situação calamitosa da saúde bucal do país, mas, porra, aquele menino poderia ser o meu filho!

Comecei a imaginar o horror de ser um pai com um filho com dor dente e não ter condições de fazer essa dor sumir. De fazê-lo parar de chorar. Honestamente, eu acho que iria enlouquecer. Não existe nada pior do que ficar de mãos atadas, assistindo ao sofrimento de um filho - e só quem é pai e mãe sabe disso.

Pensar "como um pai" é a forma que encontrei de me colocar no lugar do outro. Na dúvida, eu imagino o meu filho naquela situação e, imediatamente, sei que decisão tomar. Alguns podem achar isso ingênuo, mas para mim funciona. Imagine como os políticos cuidariam da educação se eles pensassem que seus filhos poderiam estar numa escola pública? Será que um diretor de hospital deixaria o filho recebendo soro no chão do corredor?

A segunda melhor parte de ser pai é que me tornei um ser humano um pouquinho mais humano. A melhor parte é, claro, abraçá-lo e dizer eu te amo.

Por isso e por tudo: obrigado filho.

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