Opinião

As dores de Agenor - um amigo de meu pai

Era comecinho de tarde quando a campainha tocou. "Agenor" contou sua história. Disse que tinha me pegado no colo e tudo mais. Meu pai, então, pegou o número que o homem tinha deixado e entrou em contato. Só então se recordou de quem se tratava.
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Era comecinho de tarde quando a campainha tocou.

- Pois não! - respondeu o Chus, espanhol responsável pelo projeto "Dentista do Bem" na América Latina, recém-chegado no Brasil.

- Olá, meu nome é "Agenor" (vou chamá-lo assim!). Sou amigo do pai do Dr. Fábio. Preciso falar com ele urgente.

O Chus jamais ouvira falar em "Agenor-algum-amigo-de-meu-pai". E, justamente por isso, a porta não deveria ser aberta. Protocolo de segurança. Entretanto, as credenciais "apresentadas" eram boas o suficiente para garantirem uma exceção à regra, não? Na boa vontade, ele deixou o homem entrar.

Já dentro da TdB, o tal "Agenor" contou sua história. Disse que tinha me pegado no colo e tudo mais. Todavia, fazia tempo que perdêramos o contato. Como naquela hora eu não estava na ONG, ele foi embora, mas deixou seus contatos e um recado urgente: "Ligar para 'Agenor', amigo do seu pai!".

Quando soube do ocorrido, não entendi o que deveria fazer. EU não conhecia "Agenor-algum-amigo-de-meu-pai". Nunca tinha ouvido falar de ninguém com esse nome. De onde tinha surgido essa pessoa? Claro, tentei resolver o mistério com meu pai. Entretanto, nem ele se lembrava de "Agenor-algum-seu-amigo". A trama se complicava...

Meu pai, então, pegou o número que o homem tinha deixado com o Chus e entrou em contato. Só então se recordou de quem se tratava.

"Agenor" era um antigo conhecido do Ipiranga, em S. Paulo. Sempre foi "bem de vida", dono de vários terrenos e imóveis do bairro, que havia recebido numa herança. Era amigo, do amigo, do amigo... Ou seja, ele e meu pai nunca foram próximos, mas se encontraram um punhado de vezes por conta das amizades em comum.

Durante a conversa entre os dois, apareceu o real motivo da visita. "Agenor" precisava ir ao dentista... Tinha muitos problemas. Ao longo de sua vida, nunca cuidou dos dentes. Aparentemente, porque era muito caro.

Quando meu pai me contou toda a história, não acreditamos: "O cara quer ir no dentista de graça, dá pra acreditar? Mas ele é super rico!"

Ou seja, ele não queria gastar dinheiro com dentista... E quando descobriu que o filho daquele velho "conhecido" tinha uma ONG de dentista, tentou tirar uma casquinha. Agora, a TdB existe pra ajudar os milhares que jamais teriam acesso - e nem conseguimos dar conta de todos os que precisam, apenas dos jovens de baixa renda e mulheres vítimas de violência doméstica (clique aqui). Imagine se eu ia ajudá-lo?

"Agenor" nunca recebeu um telefonema de retorno.

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