OPINIÃO
04/02/2015 13:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Volta ao amadorismo é a única solução para o futebol de Tupinicópolis

Não dá para brincar de ser profissional ou ser mais ou menos profissional. A gente tem que escolher um lado desse muro aí. Pra mim já está muito claro que nunca passaremos disso. Sendo assim, é melhor assumirmos de uma vez nossa condição para que pelo menos possamos voltar a ter prazer em acompanhar futebol. Não há mal algum nisso e ainda pode ser bem mais vantajoso.

cassimano/Flickr

Não é de hoje que o futebol brasileiro vem se equilibrando entre o profissionalismo e o amadorismo. O grande problema é que aqui o profissionalismo fica apenas nos salários milionários que recebem jogadores e técnicos, nas tais das ~arenas~ e suas frescuras que custam caro demais e no discurso de uma meia-dúzia de abnegados. Todo o resto é dominado pelo amadorismo.

Todos os dias assistimos no Brasil a um verdadeiro festival de campeonatos esvaziados, jogos e pontos que são decididos em tribunais em vez de nos campos, partidas realizadas em horários que nem de longe privilegiam o torcedor, brigas constantes entre "torcedores" que nunca são punidos, apesar de serem sempre os mesmos, dirigentes irresponsáveis que quebram os clubes e nunca são cobrados... enfim, a lista é longa, quase infinita. Diante disso tudo e da absoluta falta de perspectiva de mudança, acho que já passou da hora de a gente abraçar de vez essa nossa condição de eternos amadores.

Sejamos honestos: nós não temos a mínima inclinação para a seriedade em nenhuma área. Não seria diferente justamente no futebol. É perda de tempo insistir na mudança, além de muito caro. É preciso voltar logo aos tempos em que os estaduais duravam de seis a oito meses e que o Brasileiro tinha quase cem times. É preciso parar de contratar jogadores a peso de ouro e voltar a apostar em moleques que jogam descalços em campos de pelada ou na rua. Acima de tudo, é preciso deixar de lado essas ideias marketeiras, planos de sócio torcedor, vendas de pacotes de pay-per-view e tudo mais que não tiver a ver com aquilo que se tinha até 15, 20 anos atrás.

Em vez de tentarmos copiar o modernismo europeu, como querem aqueles que são a favor da profissionalização, deveríamos seguir o exemplo da Argentina, que faz tudo ao contrário do que pregam os executivos da bola e ainda assim continua a ter estádios lotados. Lá tem até jogador que paga pra vestir a camisa do time de coração. Tá, eu sei que lá os líderes das barras bravas, as organizadas deles, já ocupam cargos diretivos dentro dos clubes e a política domina inteiramente o cenário, determinando, inclusive, o número de participantes no campeonato da primeira divisão - o desse ano terá 30. Mas, ora, não dá para ser amador e exigir mais do que isso, concorda? Ao menos ninguém vai poder dizer que eles não estão agindo com coerência. Já a gente...

Não dá para brincar de ser profissional ou ser mais ou menos profissional. A gente tem que escolher um lado desse muro aí. Pra mim já está muito claro que nunca passaremos disso. Sendo assim, é melhor assumirmos de uma vez nossa condição para que pelo menos possamos voltar a ter prazer em acompanhar futebol. Não há mal algum nisso e ainda pode ser bem mais vantajoso. Muito pior é tentar passar pelo que não somos. Se não nascemos para esse negócio, forçar a barra não vai adiantar, muito menos fará com que voltemos a viver as glórias do passado. Se é aquele futebol de outros tempos que queremos ter de volta, então antes será preciso que voltemos a ser os brasileiros de outros tempos. Ou, melhor dizendo, precisamos parar logo de fingir que não somos mais.

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