OPINIÃO
03/08/2015 22:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Por que Zico tem o direito de sonhar com a presidência da FIFA

Mesmo admitindo ser zebra nessa disputa, é da sua natureza não fugir de um desafio, tenha ele o tamanho e a complexidade que tiver. Além disso, ao contrário da maioria dos seres humanos, Zico não tem medo de mudanças, de fugir do lugar comum e não se acomoda em nenhuma zona de conforto.

VANDERLEI ALMEIDA via Getty Images
Former Brazilian footballer Arthur Antunes Coimbra 'Zico', speaks during a press conference in Rio de Janeiro, Brazil on June 10, 2015 to announce that he will apply for the presidency of the FIFA in the next election. AFP PHOTO/VANDERLEI ALMEIDA (Photo credit should read VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Zico é um desbravador, um pioneiro. Quando surgiu no Flamengo, o Rubro-negro já era grande. Mas foi ele quem liderou a geração que o transformou num gigante mundial. Mais tarde, aposentado dos gramados, topou o desafio de ser secretário nacional de esportes do governo Collor, cargo equivalente ao de ministro, hoje. Apesar do naufrágio daquela presidência, saiu-se muito bem e deixou como principal legado a Lei Zico, substituída pela contestada e controvertida Lei Pelé durante o governo FHC.

Ficou pouco tempo na política, pois logo surgiu o convite para ir ao Japão fundar o futebol naquela terra. Assim o fez. Não só pôs o país no mapa da pelota, como ainda ajudou a fazer dele sede de uma Copa do Mundo, exportador de talentos para clubes importantes da Europa e um dos líderes do esporte no seu continente, ao lado da Coréia do Sul. Está fazendo algo parecido na Índia, agora. No meio de tudo isso teve ainda Turquia, Uzbequistão e Iraque, sempre deixando um rastro de admiradores, os quais não só reconhecem o caráter e a competência do Galinho, como também reverenciam o fato de ele ser uma das pessoas mais incríveis com as quais tiveram a oportunidade de conviver e trabalhar.

Tudo isso dá a Zico o direito de sonhar com a presidência da FIFA. Mesmo admitindo ser zebra nessa disputa, é da sua natureza não fugir de um desafio, tenha ele o tamanho e a complexidade que tiver. Além disso, ao contrário da maioria dos seres humanos, Zico não tem medo de mudanças, de fugir do lugar comum e não se acomoda em nenhuma zona de conforto.

Não tenho dúvidas de que uma eventual - e remotamente possível - vitória do Galo no pleito inauguraria na FIFA uma era onde transparência, lisura e bom caratismo ocupariam os lugares de destaque que atualmente não ocupam e que não estou convencido de que ocuparão caso se confirme o favoritismo do Platini.

Zico pode e deve sonhar com mais esse feito, sim. E temos a obrigação de torcer por ele. Não somente por ser brasileiro, não somente por ser latino e sul-americano, mas por ser Zico, por representar o que representa, por ser quem é e pela História que construiu.

Vai, Galo! Hoje, tanto quanto naqueles inúmeros domingos no Maraca, a gente está e conta contigo.

Pra cima deles, Deus!

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