OPINIÃO
11/12/2014 13:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Não são só as balas que andam perdidas no Rio

Tem uma parada típica que nos faz muito mal: a marra. Quando queremos, somos insuportáveis. Uns com os outros, inclusive. E que melhor terreno poderia haver pra propagação dessa praga do que o futebol? Ela nos cegou a ponto de não nos darmos conta do quão acentuado era o declínio dos nossos clubes.

SambaPhoto/Paulo Fridman via Getty Images

Ninguém discute que o Rio de Janeiro é das cidades mais fantásticas do mundo. Também não é segredo pra ninguém que aqui vivemos mazelas bem pouco comuns à grande maioria dos outros lugares que normalmente nos vêm à cabeça sempre que rolam essas comparações.

Já rodei um bocado, e pra mim o Rio sempre foi o lugar em que mais desejava estar. E não é pelas praias, coisa de que nem gosto tanto assim. Tem mais a ver com esse tal "espírito carioca" de que tanto se fala em tudo quanto é canto; tem a ver também com falar "chiado", de um jeito meio malemolente, o qual faz a gente ser reconhecido e até invejado aonde quer que vá; e, finalmente, tem a ver com futebol.

Desde que me entendo por gente, tudo na minha vida tem ou teve alguma coisa a ver com futebol. Todas as decisões importantes, as grandes conquistas, as piores decepções... TUDO! Não podia ser diferente com a escolha de onde morar. Aqui se vive futebol de maneira muito distinta da que vejo em outras praças que tem o único e verdadeiro jogo (o resto é esporte e educação física, mas isso é papo pra outro dia) do planeta como carro-chefe das emoções do seu povo. Não é por acaso que o Rio é o único lugar do Brasil e, talvez, do Mundo, onde ainda sobrevivem os clássicos com estádio dividido ao meio, com cada lado tendo direito a montantes iguais de ingressos pras suas torcidas. As brigas entre organizadas acontecem, também. Mas, novamente, se sobressai a elas o Espírito Carioca, dessa vez em maiúsculas, porque ele atua mesmo como uma certa divindade nessas horas.

Mas tem outra parada, também típica, que nos faz muito mal: a marra. Quando queremos, somos insuportáveis. Uns com os outros, inclusive. E que melhor terreno poderia haver pra propagação dessa praga do que o futebol? Ela nos cegou a ponto de não nos darmos conta do quão acentuado era o declínio dos nossos clubes, apesar de os sinais explodirem na nossa cara todo santo dia. Qualquer mínimo brilhareco já nos bastava. Só o que importava era estar melhor que um amigo, cunhado, colega de trabalho ou vizinho torcedor de algum​ time​ rival. Menos ainda importavam os meios e quanto deveria ser gasto pra que ​a​ vontade fosse saciada.

O cenário atual é desolador. Não tem nada que indique um 2015 melhor do que foi 2014. Dos quatro maiores, o Flamengo é o que termina o ano um pouco mais tranquilo, mas a própria diretoria já avisou que é bom ninguém esperar ​grandes ​coisa​s​ pro ano que vem. O c​i​nto vai continuar apertado. Os outros três vão pro réveillon na Atlântica sem a mínima ideia do que vai ​ser dos 365 dias seguintes à meia-noite.

O rebaixado Botafogo, arrasado por uma dívida tida por alguns como impagável, não pode nem ser apontado como um dos candidatos principais a ficar com uma das vagas à Séria A de 2016. O recém-retornado Vasco ​entendeu que o Eurico era​ o homem certo pra conduzir o clube pra fora do buraco que o próprio moleque Eurico cavou.

Por fim, o Fluminense, cuja patrocinadora/parceira/mantenedora/financiadora/patrona acabou de anunciar o encerramento do acordo entre as partes, pondo fim a um casamento que já durava 15 anos e vinha se arrastando há uns dois ou três. Nem o anel de brilhante, que foi a permanência na Séria A no ano passado, foi suficiente pra salvar a relação. Parece até que foi ali que a coisa desandou de vez. Foi um lance meio de esposa que não vê problema no marido ter amante, desde que não comece a faltar em casa. No momento em que os mimos à teúda e manteúda passaram a pesar demais no orçamento doméstico, paizão foi obrigado a dar um bico na vadia. E o pior é que ele agora quer que ela se vire com os filhos que surgiram desse romance, porque dona patroa não aceita filho da outra dentro de sua casa.

Ao fim e ao cabo, só quem teve motivo de sobra pra comemorar em 2014 foi o Macaé, campeão da Série C e representante do estado na Segundona do ano que vem, junto com o Botinha. Como diria meu amigo-irmão Junior de Almeida Caveira, lá de Paracambi: "É pica, irmão!".

O que resta agora é tentar aproveitar o verão que vem chegando - apesar de andarem falando por aí que vai ser mais quente que o anterior e com pouca água - pra desviar as ideias desse assunto. Bora deixar pra pensar nisso de novo lá pro meio de janeiro. Afinal de contas, mesmo não sendo muito fã de praia, a tarde pede muito um mergulho lá no Leme.

Valeu então, galera! Até a próxima!

Abraços,

Tatu ​

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