OPINIÃO
05/01/2015 16:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Entendendo a crise no futebol brasileiro

Quem acompanha futebol já sabe: janeiro é mês de ferveção no mercado da bola. Contratações, especulações, fofocas, ~fontes seguras~ aparecendo de todo lado e garantindo um monte de coisa... enfim, é uma festa! Quer dizer, era. De uns tempos pra cá, em especial nesse começo de 2015, as coisas andam beeeeeeeem devagar.

Quem acompanha futebol já sabe: janeiro é mês de ferveção no mercado da bola. Contratações, especulações, fofocas, ~fontes seguras~ aparecendo de todo lado e garantindo um monte de coisa... enfim, é uma festa! Quer dizer, era. De uns tempos pra cá, em especial nesse começo de 2015, as coisas andam beeeeeeeem devagar.

O que você primeiro deve aprender sobre esse negócio, é: sempre duvide do que ler, vir ou ouvir nos mais variados jornais, sites e programas de TV e rádio. Em 90% dos casos, o que tratam como "quase certo" não passa de mero burburinho e às vezes até mesmo notícia plantada.

Funciona assim: um empresário a fim de valorizar seu jogador/cliente chega para um repórter e fala para o cara que esse seu jogador/cliente está negociando com o clube A, mas também tem proposta do B e foi sondado pelo C. Aí o tal repórter, sabendo que a maré não está para peixe e precisando apresentar trabalho, porque a cobrança é enorme e o chefe não larga do seu pé, mete a mão no celular e toca tuitar e postar no Facebook. Ali mesmo ele já começa a escrever o texto que vai virar matéria de capa do jornal no dia seguinte, mas que em cinco minutos vai estar na home do site do veículo para o qual trabalha. E é isso. Simples assim. Nenhuma ligação para os clubes envolvidos ou para o jogador, nenhuma tentativa de fazer uma apuração mais aprofundada, falar com uns amigos do cara, umas marias-chuteiras... nada! Com cada vez mais raras exceções (obrigado por existir, ESPN Brasil), é assim que funciona. O sujeito pega a "notícia", a toma como verdade e depois a solta para milhões de pessoas o mais rapidamente possível, que é para não correr o risco de "engolir barriga". É a versão da mídia para a "guerra da carne", citada no primeiro "Tropa de Elite".

Tenta deixar a paixão de lado só por um minuto e reflete sobre o que vou falar aqui. No final, acho que você vai conseguir perceber que algumas coisas estão mudando. Devagar e na base da porrada, é bom que se diga. Mas estão.

A penúria nos clubes é imensa e isso não é novidade para ninguém. Para piorar, já não rola mais aquele derrame de dinheiro que rolava até há alguns anos. Os patrocinadores sumiram. Os poucos que sobraram, quando não são públicos, tipo a Caixa, pagam cada vez menos.

A Globo resolveu dar uma de pai disciplinador e aplicou um castigo na galera por causa do desempenho vergonhoso da seleção na Copa do Mundo, o qual fez explodir de vez todo aquele mundinho perfeito do futebol nacional que ela mesma ajudou a pintar e vendeu ao público sem medo de ser feliz e como se não houvesse amanhã. De tabela, ainda viu ser escancarada da forma mais humilhante possível a real situação que o futebol do país já atravessava. Depois da esculhambação que foi a participação do Brasil, ela entendeu que as mesadas estavam estragando os meninos e decidiu cortar aqueles adiantamentos da verba que ela paga anualmente aos clubes pelos direitos de transmissão dos jogos. Uma boa grana, com a qual 11 em cada 10 dirigentes contavam para poderem continuar promovendo seus bacanais.

De outro lado tem os bancos, as empresas de crédito e até os agiotas, que já não emprestam dinheiro aos clubes nem a juros que fariam qualquer Tony Soprano se corroer de inveja.

Por último, o governo, que, ao menos no que compete ao Executivo, não parece muito inclinado a abençoar nossas estimadas agremiações com novos afrouxamentos e perdões de dívidas sem a devida contrapartida das mesmas. A pressão para que não ceda é grande e a própria Globo já comprou a briga. Em se tratando de política, porém, é claro que não dá para pôr a mão no fogo. Entretanto, o cenário no momento é esse. E os clubes já não estão mais achando um jeito de fugir do acerto de contas. A fatura chegou. E é salgada.

Entendeu agora por que você deve filtrar bem direitinho as coisas que anda vendo/ouvindo por aí? Quando ler em algum lugar, que o diretor-executivo-pica-das-galáxias do teu time foi atrás daquele ~cracaço~ de 32 anos, que há mais de um ano não sabe nem o que é ficar no banco do time dele, antepenúltimo colocado do Campeonato Belga, aí, sim, tu pode começar a ter esperanças. Ele provavelmente virá. Se não for nesses moldes, parceiro, duvide. E se alguém vier dizer que fulano foi atrás do Fernando Torres, beltrano está conversando com Tevez e cicrano se reuniu com o agente do Gerrard, ria, dê gargalhadas, porque ISSO NON ECZISTE! Capisce?

Muita gente já chegou no fundo do poço e mais gente vai chegar lá se não houver uma reformulação completa. Alguns já entenderam e até nem demoraram tanto assim para colher frutos. Que o diga o Cruzeiro, que trabalhou bem e ainda contou com a colaboração de quase todos os outros, que trabalharam muito mal, para nadar de braçada nos dois últimos Brasileirões. Flamengo, Sport, Atlético-PR e clubes de Santa Catarina estão se arrumando e também não devem demorar para verem aparecer alguns bons resultados. Cada um dentro das suas possibilidades, obviamente.

Todos esses ainda têm um caminho longo pela frente. Mas ao menos já começaram a trilhá-lo. Seria muito mais fácil para todo mundo se os nobres dirigentes deixassem de lado rivalidades e picuinhas, que deveriam ficar restritas apenas aos gramados e arquibancadas, e finalmente criassem a liga nacional dos clubes, independente da CBF, assim como acontece em qualquer lugar onde o futebol, esse negócio magnífico, mega popular e que gera bilhões ao redor do mundo inteiro, é tratado de maneira minimamente séria. Enquanto não acontecer, vamos continuar assistindo a esse enxugamento de gelo. Mas isso é assunto para outro dia.

Abraços!

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