OPINIÃO
26/12/2014 14:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Ele é o CARA do ano

Lukas Podolski é o retrato de uma nova Alemanha, que brinca mas não abre mão dos objetivos traçados. Por tudo isso, não foi novidade pra mim a Alemanha ter passado o rodo dentro e fora de campo no Brasil. Quando aqueles caras se propõem a realizar algo, não há a menor chance de não ser feito.

Ele pouco jogou durante a Copa, não fez nenhum gol, não deu nenhum passe pra gol e também não realizou sequer uma jogada que tivesse marcado sua passagem pelos campos brasileiros. Nada disso, porém, o impediu de se transformar no grande destaque da sua seleção e até mesmo do Mundial.

Misturando um carisma até então desconhecido da maioria com uma estratégia de marketing em redes sociais muitíssimo bem desenvolvida, o polaco-germânico arrebanhou fãs com a mesma volúpia com a qual a Alemanha atropelou o Brasil naquele inesquecível e formidável 7 a 1.

Lukas Podolski nasceu na gelada Gliwice, na Polônia, e se mudou pra Colônia, no norte da Alemanha, com apenas dois anos de idade. Foi lá, jogando pelo 1. FC Köln, que apareceu pro futebol. Atacante de bom nível, se destaca pelo vigor físico e pelos chutes que costuma acertar com sua perna esquerda. Joga pelo Arsenal desde 2012, mas nunca se firmou entre os titulares do clube londrino, ficando quase sempre como opção no banco para o segundo tempo. Se jogasse com "papai" Joel Santana, certamente viraria um daqueles seus talismãs, como Toró, Caio e Iranildo "Chuchu".

Poldi, como é carinhosamente chamado pelos colegas e fãs, é o típico gente boa. De sorriso fácil e muito dado, conquista corações por onde passa, mostrando ao mundo e, principalmente, aos brasileiros, que o perfil do alemão sério, frio e sisudo nem sempre é real. Assim como o futebol da seleção brasileira que um dia conhecemos, certos estereótipos já não se justificam mais.

Apesar de sua quase nula participação na campanha que terminou com o tetracampeonato da Nationalmannschaft, em que atuou por somente 54 minutos no somatório das duas partidas que disputou na primeira fase, ganhou com sobras o simbólico título de Mister Simpatia do torneio, algo facilmente percebido graças aos muitos memes que infestaram Twitter, Facebook e Instagram ao longo dos 30 dias de competição. Veja aí embaixo alguns bons exemplos:

Se dentro de campo Podolski pouco contribuiu pra que seu time ficasse com a taça, fora dele o jogador serviu como uma espécie de embaixador de um país, que já há alguns anos não economiza esforços no sentido de se mostrar mais simpático, aberto, afável, receptivo e acolhedor. A Copa do Mundo de 2006, organizada por eles, foi o evento que marcou o início dessa mudança, a qual permitiu que os cidadãos de lá passassem a ser vistos de uma forma menos pragmática, embora continuassem a ser reconhecidos como uma nação onde a seriedade, a disciplina, a organização, a educação e o quase que perfeito funcionamento das coisas é regra.

Vivi quase três anos lá. Mesmo tempo que passei em São Paulo, por exemplo. Acontece que não foram precisos mais do que 15 minutos pra que me sentisse inteiramente seduzido por aquele lugar, ao passo que, em São Paulo, o dia a dia só fez aumentar minha total incapacidade de ser atraído pela cidade. Sempre me senti muito mais forasteiro em São Paulo do que em Freiburg, onde vivia, ou qualquer outra cidade alemã na qual tenha posto os pés. Em nenhum outro canto do mundo me senti tão estrangeiro quanto na capital paulista.

Por tudo isso, não foi novidade pra mim a Alemanha ter passado o rodo dentro e fora de campo no Brasil. Quando aqueles caras se propõem a realizar algo, não há a menor chance de não ser feito. No momento em que a decisão é tomada, pode ter certeza de que as coisas não vão ficar apenas no discurso ou no papel. E mais: tudo vai ser feito da melhor forma possível, com 100% de excelência.

Nada do que aconteceu durante a passagem deles por aqui foi casual. Teve muito de inspiração, carisma individual e senso de oportunidade, sim. Antes disso, contudo, o que teve foi uma bela preparação, toda ela feita com base em muito estudo e muitas pesquisas, as quais, por sua vez, geraram uma estratégia impecável e, como constatamos, vencedora. Não tinha como dar errado. E não deu. Nada pode ser mais alemão do que isso.

Diante dos fatos apresentados aqui, dá pra gente concluir, que Podolski é o retrato de uma nova Alemanha, de uma Alemanha que brinca, bebe caipirinha, come churrasco, vai à praia pegar jacaré, dança com índios, se diverte, ri e faz rir sem ressalvas, mas que se mantém firme nos seus propósitos e não abre mão dos objetivos traçados, nem dos seus princípios mais tradicionais. De todos os legados que a Copa poderia ter deixado pra nós, brasileiros, não tenho dúvidas de apontar esse como o maior de todos.

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