OPINIÃO
09/03/2015 14:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Dunga, CBF e as toupeiras

Depois de escutar algumas das respostas dele às perguntas dos repórteres que participavam da coletiva, como, por exemplo, ao justificar a presença do Robinho na lista com o argumento de que, aos 31 anos e consolidado como símbolo maior de uma geração que prometeu muito e realizou muito pouco, o ~rei das pedaladas~ é uma referência para esse grupo de jogadores, aí mesmo foi que tive a certeza de que ele e esse encalacrado insetívoro da família dos talpídeos têm bem mais coisas em comum do que me era possível prever.

YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
The coach of the Brazilian national football team, Carlos Verri, known as Dunga, announces the first squad of his second spell for next month's friendly matches, in Rio de Janeiro, on August 19, 2014 - with only 10 of those who featured at the World Cup making the cut. He named a squad of 22 players for the friendlies against Colombia in Miami on September 5 and Ecuador in New Jersey four days later. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Dunga é uma autêntica toupeira. Não importa que sua trajetória como técnico da seleção seja recheada de números positivos, aos quais, verdade seja dita, só ele dá real importância, uma vez que a imensa maioria desses bons resultados veio em amistosos de relevância zero, enquanto que na hora do vamos ver, como foi contra a Holanda, na Copa de 2010, revelou toda sua imbecilidade, todo seu despreparo e sua absoluta incapacidade de reagir a uma situação adversa.

Por conta disso mesmo, quando se imaginava que tal episódio poderia tê-lo ensinado alguma coisa, vem a "nova" convocação e a repetição de velhos erros e justificativas ainda mais velhas, os quais comprovam, que, no caso de Dunga, a intransigência e a teimosia que adora demonstrar não passam de um mero disfarce para uma burrice que esbarra na patologia. Dunga é patologicamente burro.

Foi assistindo a trechos - sim, porque é impossível assistir a uma entrevista completa do Dunga - da coletiva que o técnico da seleção concedeu após o anúncio da lista dos convocados para os amistosos contra França e Chile, nos dias 26 e 29 desse mês, respectivamente, que me veio à cabeça a imagem de uma toupeira para ilustrar melhor o que é o Dunga. A fim de não cometer qualquer injustiça com o bicho, porém, fui ao Google pesquisar a respeito. Todas as fontes consultadas traziam informações bastante similares. Fiquei com a do site Curiosidades Biológicas, o qual define a menina toupeira como sendo um animal recluso, que dificilmente sai de sua toca, mesmo que para caçar, uma vez que a maior parte de suas presas (minhocas, larvas, vermes etc.) chega a ela pelos sulcos que faz nas paredes das tocas. Boa parte do que chega é mantida por ela em uma "despensa", utilizando para isso uma técnica assim explicada pela publicação: "Com uma mordida, ela tira a cabeça do bicho, o que não o mata, e depois paralisa o corpo com sua saliva venenosa - como os vermes ainda vivem, eles não apodrecem. Em seguida, tranca as vítimas num buraco, dentro do seu sistema subterrâneo". Sobre esses tais buracos, a página que fala das toupeiras no portal Saúde Animal diz que elas os protegem com imenso zelo e as descreve como animais ferozes e mau humorados. Cai ou não cai como uma luva sobre o senhor Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga?

Depois de escutar algumas das respostas dele às perguntas dos repórteres que participavam da coletiva, como, por exemplo, ao justificar a presença do Robinho na lista com o argumento de que, aos 31 anos e consolidado como símbolo maior de uma geração que prometeu muito e realizou muito pouco, o ~rei das pedaladas~ é uma referência para esse grupo de jogadores, aí mesmo foi que tive a certeza de que ele e esse encalacrado insetívoro da família dos talpídeos têm bem mais coisas em comum do que me era possível prever.

As razões que levaram a CBF a chamar Dunga de volta já foram ampla e exaustivamente discutidas por centenas de milhares de comentaristas, bêbados e demais pessoas ligadas ao futebol. Nunca foi segredo para ninguém que seu retorno marcava o (re)início de uma era em que ganhar o próximo jogo é a prioridade número um, a número dois e também a três. Não restava dúvidas de que a resposta da entidade à humilhação sofrida na Copa do Mundo dentro de casa viria em forma de vitórias a qualquer custo e contra quem aparecesse, não importando o quão importante ou desimportante pudesse ser a partida ou o adversário. Ela mostrou ali que ia, sim, responder ao massacre e à conseqüente exposição ao mundo das mazelas que assolam o futebol que ela dirige com números, dados e estatísticas frios e pragmáticos. Tal e qual aconteceu na primeira passagem do ex-capitão. Passagem essa, que, é bom que se lembre, a própria CBF considerou fracassada após o Mundial da África, tanto assim que o demitiu.

No momento em que anuncia a volta do Dunga, a CBF reafirma sua condição de dona do futebol brasileiro, pois, mais uma vez, faz o que faz à revelia dos fatos e, principalmente, da vontade de um povo, em especial os mais jovens, que ainda tinha alguma esperança de resgatar o tesão de torcer por uma seleção brasileira, algo em que, como vimos na Copa do 7 a 1, não temos nos saído nada bem.

Não tem a menor importância o que vai acontecer nesses próximos dois amistosos. Aliás, não tem importância nem o que vai acontecer na Rússia daqui a mais ou menos três anos. Não faz diferença alguma se essa seleção que está ai vai ser campeã em 2018, assim como a história mostra que os títulos de 94 e 2002 também não fizeram. E sabem por quê? Porque "apenas" vencemos. Pro Dunga e os seus isso pode até soar mais ofensivo do que xingar suas mães. Mas a verdade é que essas conquistas não acrescentaram nada ao futebol além de mais dois troféus numa prateleira qualquer na sede da CBF. Mais ofensivo ainda do que isso, só ter que ouvir que a Seleção - essa, sim, em caixa alta - de 1982 ocupa um lugar bem mais prestigioso do que as do Parreira e do Felipão, mesmo tendo sido eliminada daquela maneira pela Itália de Paolo de Almeida Rossi, nas quartas-de-final. É a morte para eles. Entretanto, é a mais pura realidade.

O problema das pessoas que comandam a CBF é que elas não admitem a hipótese de que o futebol do Brasil deve ao mundo e, principalmente, a nós, brasileiros, muito mais do que somente títulos. É claro que a gente quer ganhar. É claro que não achamos que ganhar deva ficar em segundo plano. O que a gente não quer, é que as vitórias venham ao custo de um futebol bonito, bem jogado e que conserve ao menos parte daquilo que um dia serviu de referência para o planeta inteiro, inclusive para aqueles que hoje se utilizam dessas mesmas referências para nos espancarem dentro da nossa própria casa. Com isso isolam ainda mais a seleção do seu povo, do seu torcedor. Tal como a toupeira faz com suas presas, corta sua cabeça, envolve-a numa gosma qualquer para que não apodreça e a mantém ali no seu buraco, o qual protege com ferocidade e mau humor, para consumir quando bem entender ou precisar. A única diferença entre esses caras e as toupeiras, é que os pobres dos bichinhos não escolheram ser assim.