OPINIÃO
06/07/2015 10:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

A primeira vez do Chile

Parece que o objetivo maior é mesmo tirar o Brasil de uma Copa do Mundo pela primeira vez.

REUTERS/Mariana Bazo

A crença popular é de que a primeira vez a gente nunca esquece. Difícil contestar. Sendo boa ou ruim, a primeira vez é única, é pra sempre. Se ao final de tudo a lembrança for boa, feliz de você; se, ao contrário, for uma lástima, azar o teu, porque vais carregar aquilo tatuado na memória pelo resto da vida.

No sábado os chilenos viveram a alegria de uma conquista pela primeira vez. Dentro de casa, contra a Argentina, cenário que 11 de cada 10 chilenos cresceram idealizando. Negar aos inimigos históricos a oportunidade de sair do jejum de 23 anos e, ao mesmo tempo, poder comemorar junto ao seu povo o primeiro título que a Seleção dá ao país é muito mais do que perfeito.

Já a Argentina... pobre Argentina... ¿¡Qué pasa contigo, Argentina?! Às vezes me parece que a Albiceleste está pagando os atrasados referentes às conquistas nos Mundiais de 78 e 86. O primeiro, conseguido em meio aos horrores da ditadura e, segundo consta, graças a uma ajudinha providencial do Peru . No segundo teve a tal "mão de deus" do Maradona. Mesmo estando "el D10s" numa forma espetacular, quem sabe o que poderia ter acontecido ao time naquela partida e, consequentemente, na Copa não fosse a marotice de seu craque e capitão? Fato é que em ambas as ocasiões em que saíram vencedores, mesmo tendo jogado futebol suficiente pra levantar os canecos, os caras precisaram de colaboração externa pra conseguirem dar umas voltas olímpicas e colocar umas taças na sala de troféus da AFA.

E quanto a nós? Que lições a gente pode tirar da nossa participação ridícula na Copa América e também do que se viu das outras seleções no torneio? Uma porrada! Dá pra fazer uma lista extensa. E se juntar com as anotações feitas na Copa do ano passado, aí vira dossiê. Dá pra montar um curso de MBA sobre tudo o que NÃO se deve fazer em relação a futebol só com as cagadas da CBF nesse intervalo entre o #7a1Eterno e agora.

A gente não aprendeu nada. Ou melhor: é claro que quem tá com as rédeas desse negócio nas mãos sabe muito bem o que precisa ser feito. O problema é que eles também sabem, que pra fazer o que é preciso, vão ter que abandonar uma série de práticas e costumes, os quais são a verdadeira razão de ainda estarem lá. Não tem como pensar em mudança, avanço, evolução ou qualquer coisa do tipo enquanto essa cambada estiver no comando das ações. A própria sobrevivência dessa espécie nojenta depende da manutenção do chamado status quo.

Besteira pensar que a cartolagem vai cometer suicídio. Se não houver um movimento forte e determinado a removê-los de onde estão, vamos continuar a assistir ao crescimento dos nossos vizinhos, que hoje, com justiça, colocam em dúvida a capacidade de a seleção brasileira passar pelas eliminatórias pra próxima Copa. Inúmeros avisos estão sendo dados. Ora fingem tê-los ouvido, mas é só até a poeira baixar, ora ignoram por completo, dão de ombros, às vezes até desdenham. Parece que o objetivo maior é mesmo tirar o Brasil de uma Copa do Mundo pela primeira vez. Do jeito que são, não duvido que seja pra isso. Pra eles não importa muito a maneira pela qual serão lembrados. Se as pessoas também se lembrarem do que eles ganharam com isso, tá ótimo.