OPINIÃO
10/02/2015 17:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

5 motivos para a torcida do Palmeiras (ainda) não se descabelar

Nem bem o ano começou e o Palmeiras já ensaia entrar numa crise. Até aí, nada de novo. Faz mais de uma década que crise é o estado permanente do Verdão. O Palestra é um clube constantemente em crise, mas que às vezes vive uma fase mais serena. Mas, por mais motivos que a torcida que canta e vibra possa ter pra ficar ressabiada, é preciso levar em consideração alguns outros pontos antes de arrancar os poucos cabelos que ainda lhe restam.

CARLA CARNIEL/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Nem bem o ano começou e o Palmeiras já ensaia entrar numa crise. Até aí, nada de novo. Faz mais de uma década que crise é o estado permanente do Verdão. O Palestra é um clube constantemente em crise, mas que às vezes vive uma fase mais serena. Tem um pouco a ver com o já conhecido apreço do palmeirense, italiano em sua essência, pela tragédia e muito a ver com as campanhas pífias durante quase todas as temporadas deste século, que deixam o torcedor sempre com várias pulgas atrás de suas duas orelhas.

Dizem por aí que gato escaldado tem medo de água fria. Isso explica o porquê de tão pouca paciência por parte de quem segue o Palmeiras. E como no futebol, principalmente no nosso futebol, razão, equilíbrio e bom senso não costumam entrar em campo, bastam duas derrotas num campeonato que não vale nada pra que o Kisuco comece a ferver. Quando uma dessas derrotas é pro maior rival, aí mesmo é que o bicho pega.

Não deveria ser assim. Pelo menos não dessa vez. Por mais motivos que a torcida que canta e vibra possa ter pra ficar ressabiada, é preciso levar em consideração alguns outros pontos antes de arrancar os poucos cabelos que ainda lhe restam. Seguem abaixo os principais:

1) Não se faz um time em três jogos: o Palmeiras contratou DEZENOVE jogadores pra essa temporada. Isso dá quase dois times! É coisa pra cacete! O último a chegar, o meia Cleiton de Almeida Xavier, sequer tem data pra estrear. Tem jogador que ainda nem aprendeu o caminho pro CT e o nome de metade dos caras que jogam com ele. É simplesmente impossível que atuem como equipe e estejam entrosados. É preciso dar tempo ao tempo.

As expectativas criadas por conta desse enxame de novos jogadores - alguns de qualidade bem questionável - são normais. O torcedor está carente e quer acreditar em dias melhores. A imprensa, que sabe disso melhor do que ninguém, vai lá e explora esse sentimento ao máximo, criando ainda mais expectativas. Depois que a bola rola e a realidade aparece, essa mesma imprensa não economiza na crítica e põe ainda mais lenha na fogueira da crise.

Um bom exemplo do que estamos falando aqui é o Manchester United, que também contratou às toneladas pra atual temporada. Creio eu que ninguém aqui vai duvidar da qualidade de jogadores como Falcão Garcia, Daley Blind, Marcos Rojo e Dí Maria, pra ficar só nos mais badalados. Entretanto, como time, eles ainda não conseguem render tudo aquilo que deles se espera. A coisa anda tão abaixo da crítica, que o desempenho do time do Van Gaal após 24 rodadas é inferior ao que teve na temporada anterior o David de Almeida Moyes, apontado por todo mundo na Inglaterra como o maior mico dos Red Devils desde as apostas em Djemba Djemba e Kleberson. Portanto, calma lá, galera! Nada de desespero, OK? Ainda não está na hora.

2) Ponte Preta e Corinthians, hoje, são melhores do que o Palmeiras: as derrotas, ambas no novo estádio, que até aqui não vem pesando nada a favor do time da casa, foram totalmente dentro do contexto. Diria que eram até esperadas, haja vista que tanto a Ponte quanto o Timão têm equipes muito mais acertadas. Os dois mantiveram a maior parte dos seus elencos do ano passado. No caso do Corinthians, um elenco que conquistou vaga na Libertadores; no da Ponte, o que foi vice no Brasileiro da Série B, pra onde o Palmeiras quase foi de novo. Nenhuma surpresa terem vencido um time, que, como vimos no item 1, ainda está sendo formado.

3) Quantidade não é qualidade: a frase é batida, mas muita gente ainda peca por não levá-la a sério. Nenhum dos 19 jogadores contratados pelo Palmeiras é um fora de série capaz de chegar, vestir a camisa, ir pro jogo e arrebentar. São jogadores absolutamente dentro da mediocridade do futebol brasileiro dos últimos anos. Alguns estão até aquém dessa mediocridade, como é o caso do zagueiro Vitor de Almeida Ramos, cujo maior feito na carreira foi ter pegado uma Panicat. Até pelo número de atletas que mandou embora do ano passado pra cá, era preciso mesmo botar mais gente pra dentro. Mas daí a pensar que quem chegou vai ser capaz de reeditar os bons tempos das Academias, ou os anos mágicos da era Parmalat, é um pouquinho demais.

4) Que se dane o Paulistão: por mais que o discurso de jogadores, técnico e diretores seja o de que o estadual é fundamental pro clube, nas internas a conversa é bem outra. É claro que todo mundo quer ganhar. Já que tem que disputar, então que seja pra vencer. Mas a real é que a função mais valiosa desse torneiozinho é justamente dar uma cara ao time, pra que ele entre forte nas competições que de fato importam, como o Brasileiro e a Copa do Brasil. O problema, de novo, são a tal da pressa e a pressão que todos sofrem por resultados. Os estaduais não valem nada. E não valem mesmo. Contudo, basta que comecem pra que a cornetagem coma solta. No fundo eles só existem pra causar tumulto, demitir técnicos e enganar os trouxas.

5) Tempo de maturação: todo time precisa de tempo pra se ajustar. Lembram do exemplo do Manchester ali de cima? Pois é. Logo que chegou ao clube, o técnico Louis Van Gaal avisou que precisaria de pelo menos 3 meses pra tornar a equipe competitiva, mas que só na temporada 2015/2016 é que ela estará pronta pra disputar títulos importantes. O maior objetivo pra esse ano é ficar com uma das quatro vagas a que a Inglaterra tem direito na Champions League e tentar beliscar um titulozinho na Copa da Inglaterra, um torneio secundário. Portanto, se até o todo poderoso Manchester United, cujo pior jogador é muito melhor do que o melhor jogador do Palmeiras, sabe que é desse jeito que as coisas são, por que haveria de ser diferente com o Palestra ou qualquer outro time brasileiro? Um pouquinho de humildade e noção de realidade não vão fazer mal a ninguém.

É claro que o Palmeiras pode surpreender e ganhar todos os títulos que disputará no ano. Também pode acontecer de entrar em crise e não sair mais dela, como já vimos em várias outras oportunidades. Tudo o que for dito agora não passará de mero achismo. Acontece que os achismos também se baseiam em fatos históricos. E não existem muitos casos na história do futebol, em especial na sua história recente, de times formados em três semanas que dão certo logo de cara. Não me parece que o Verdão de 2015 será exceção à regra, mas isso não deveria ser motivo pra palmeirense nenhum sair por aí arrancando os pêlos pubianos com uma pinça.

Siga a gente no Twitter

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.