OPINIÃO
02/12/2014 18:45 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:01 -02

O papa indie em SP: Thurston Moore fala de amor e faz playlist de suas músicas favoritas

Amor, poesia, sangue. Essas palavras se repetem ao longo de minha entrevista com o vocalista, guitarrista, compositor e ícone do rock alternativo Thurston Moore, que se apresenta em São Paulo nesta quinta-feira, 4.

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KEFLAVIK, ICELAND - JUNE 29: Thurston Moore of Chelsea Light Moving performs live on stage on Day 2 of ATP Iceland Festival on June 29, 2013 in Keflavik, Iceland. (Photo by Matthew Eisman/Redferns via Getty Images)

Amor, poesia, sangue. Essas palavras se repetem ao longo de minha entrevista por e-mail com o vocalista, guitarrista, compositor e ícone do rock alternativo Thurston Moore, refletindo algumas das inspirações de seu recém-lançado álbum, The Best Day. Equilibrado entre paisagens acústicas de baladas compostas em um violão de 12 cordas e a densidade de riffs e contornos de guitarra típicos de Thurston, o registro capta a reunião de um time que habita os sonhos sônicos alternativos. Ele se uniu ao ex-companheiro da banda Sonic Youth, o baterista Steve Shelley, à baixista irlandesa do My Bloody Valentine, Debbie Googe, e ao guitarrista inglês James Sedwards, das bandas Nought e Chrome Hoof. E atenção nação indie: é com eles que Thurston toca no próximo dia 4 no Cine Joia, em São Paulo, no Popload Gig, em show previsto para começar às 22h.

Radicado em Londres desde a parada das atividades do Sonic Youth, e de sua separação da baixista e cofundadora de banda Kim Gordon, Moore diz que a escolha da capital inglesa como casa tem a ver com a música, já que "música=amor". Por falar nessa equação, ele montou uma playlist exclusiva com suas músicas favoritas, republicada abaixo, que visita o rock de várias idades e passa pelo country-folk de Judee Sill. Thruston também mencionou os seus prolíficos projetos paralelos onde o improviso e o experimentalismo dão o tom, o que se harmoniza com o jazz ter lugar de destaque entre os seus álbuns preferidos. Ouça alto e leia!

Você levou três anos para lançar um novo álbum solo. Como definiria esse trabalho em perspectiva com os anteriores? Concorda com a vibração positiva que alguns críticos apontam e que já começa no título de The Best Day?

Foram três anos desde o álbum solo Demolished Thoughts, mas estive gravando e tocando com diferentes pessoas desde então. O projeto que chamou mais atenção foi o grupo Chelsea Light Moving, que fez um disco que era um pouco como um heavy rock desvirtuado, com a banda em turnê por mais de um ano nos Estados Unidos, Europa, Japão e Taipei [Taiwan]. E trabalhei com outros músicos em duos e trios, como com o guitarrista improvisador John Russell, o clarinetista e guitarrista improvisador Alex Ward (lançamos um LP pelo selo Cafe Oto), o saxofonista sueco Mats Gustfsson (vários projetos), Andy Moore, do The Ex, e Anne-James Chaton (poeta sonora parisiense) em algumas poucas peças de teatro com sons e textos. Também estive envolvido com a escrita e a publicação de poesia, assim como ensinando poesia em uma oficina de verão na Universidade Naropa, em Boulder, Colorado, nos Estados Unidos.

Escrever e gravar as músicas de The Best Day foi uma alegria, porque eu tenho estado contente com meu coração e alma e com os músicos com quem trabalhei na gravação - James Sedwards, Deb Googe e Steve Shelley - foi como um sonho virando realidade.

No novo álbum, há um equilíbrio entre composições acústicas e guitarras. Esse balanço já estava presente na concepção do disco? Como foi seu processo de criação

Eu não tive nenhum processo, a não ser abrir minha janela e destravar o case da guitarra e sentar em uma cadeira e começar a tocar música, escrevendo músicas que refletiam o estado emocional da minha vida. Duas ideias de canções, "Tape" e "Vocabularies", foram criadas em um violão de 12 cordas, e eu mesmo gravei todo o resto da instrumentação. As outras seis músicas foram escritas para serem tocadas por uma formação tradicional de guitarras, baixo, bateria e vocais. Gosto da tradição e gosto de experimentar com ela. Esse é o único desejo real que me move.

O amor marca forte presença nas letras de The Best Day. Você poderia comentar sobre suas outras fontes de inspiração? O que se passava em sua cabeça quando escreveu essas canções?

Eu estava pensando em como o amor resolve as coisas e em como ele é elementar e pode fazer o sangue ferver em psicose vermelha e em como ele pode ser o creme mais doce de êxtase do paraíso eterno. É o que está correndo pelos meus dedos quando eu toco a guitarra.

Como alguém tão icônico e crucial no desenvolvimento da cena de rock alternativo, você acredita que o nome desse subgênero ainda represente algo de genuíno atualmente? Qual é sua opinião sobre essa cena?

Penso que o rock alternativo vai ser sempre o mais empolgante e crítico dos gêneros do rock, porque ele experimenta coisas novas, ignora as expectativas dos padrões de sucesso e sabe como fazer movimentos que aqueles dinossauros chatos do rock de arena só podem desejar que fossem capazes de fazer, mas eles não se importam porque vivem no mundo tedioso e mundano do dinheiro.

Quais são os cinco álbuns sem os quais você não conseguiria viver sem?

A Love Supreme - John Coltrane

Cut - The Slits

Blank Generation - Richard Hell & The Void Oids

Ramones - Ramones

Kind of Blue - Miles Davis

O que podemos esperar do show em São Paulo e quais são as suas expectativas sobre ele?

Vamos tocar música que nasceu do sangue, do amor e da verdade, com total respeito pelas pessoas que venham para nos ouvir e assistir. Se alguém paga com o dinheiro que ganha trabalhando para assistir a uma banda, a banda precisa ter responsabilidade de ser inspiradora em sua arte e apresentação. É preciso que faça você querer fazer aquilo por você mesmo [do it yourself], começar sua própria banda, fazer música, fazer arte, fazer amor.

Texto publicado originalmente no Napster.

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