OPINIÃO
14/03/2014 15:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Terceiro ato contra Copa. Voltando a junho?

Ontem foi diferente. Tivemos uma reunião de coletivos, partidos, movimentos, uma eclosão, uma amalgama, uma mistura especial que não tínhamos fazia meses.

Terceiro Ato contra a Copa nas ruas de São Paulo ontem.

Faz meses que acompanho as manifestações a causa de minha pesquisa sobre os Black Bloc.

Ultimamente o clima de tensão nas mesmas era evidente e muito preocupante: operativos policiais enormes e quantidades de detidos igualmente chamativas eram pauta cotidiana de cada um dos protestos.

Ontem foi diferente.

Sim, tivemos também uma presença ostensiva da Polícia Militar. Cordões de polícias a cada lado da manifestação ao longo do percurso fizeram sentir a desagradável sensação de estar preso, imobilizado dentro da masa protestante e não exercendo o direito de ocupação social democrática do espaço da rua.

Sim, tivemos também Black Bloc, mas os jovens adeptos estavam difusos entre os coletivos, sem formar o já típico bloco na cabeceira da manifestação e não houve praticamente nenhuma cena de ação direita. Imagino que eles eram conscientes da importância de levar de novo as pessoas para o encontro.

O mais importante. Tivemos uma reunião de coletivos, partidos, movimentos, uma eclosão, uma amalgama, uma mistura especial que não tínhamos fazia meses. Contra a precariedade do transporte, contra os excessos da PM e contra uma Copa presunçosa, obscena, medíocre no seu significado.

Ontem era o clima de junho de novo, profetizando maiores manifestações conforme a Copa vai se aproximando, maiores encontros no espaço da rua.

Tomara. Tomara que tenhamos essas imagens de novo e tomara que o mundo olhe para o Brasil e pense que seu povo teve a coragem de falar alto.

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