OPINIÃO
10/03/2015 15:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

De panelaços e autocríticas

Muito tem se escutado sobre o panelaço-gourmet, a última modalidade de protesto, vanguardista, arrojado, inaugurada pelos furiosos cidadãos de bem que tomaram suas varandas em rebeldia ao mais puro estilo Bastilha.

Além das piadas de praxe, dignas deste tipo de protesto revolucionário, senti muita falta, por parte de políticos, militantes, simpatizantes do PT, de um espaço maduro para a reflexão e para a autocrítica. Não é só a elite-burguesa branca quem está descontente com o governo e não me parece uma estratégia inteligente esquivar os problemas lançando críticas continuas contra o panelaço, que, aliás, mesmo que um tanto bufão ou ridículo em sua forma, é um maneira perfeitamente legítima de manifestação.

Estamos num momento difícil. O governo Dilma enfrenta sérios problemas, sendo um dos principais a sua inaptidão para a comunicação com os cidadãos. Aceitar isso, aceitar os erros da presidência, não significa apoiar um impeachment irreverente ou um criminoso golpe militar, significa, simplesmente, ser honesto e construtivo.

Esta sangrenta polarização entre petistas e antipetistas só traz cegueira por todos os lados. Uns, desconsiderando e desprezando as críticas, os outros, raivosos, mandando todos a Cuba e querendo destruir um governo democraticamente eleito mas bolivariano demais para seu gosto.

Domingo, 15, teremos um grande protesto em São Paulo. Espero que os presentes não sejam desprezíveis ao ponto de vociferar de novo "vadia, vaca...", contra Dilma e semear mais ódio, mas também espero que a base social petista assim como seus representantes não percam o tempo em críticas já esgotadas contra os que irão se manifestar e pensem nos reais motivos para a insatisfação.

A autocrítica é um único caminho se querermos construir uma política mais digna.