OPINIÃO
11/12/2015 13:56 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Você já foi racista hoje?

Se tanta coisa evoluiu, por que o título desse texto ainda é o mesmo? O preconceito?

Sim, estamos no século 21 e, graças a Deus, muitas coisas já evoluíram. A internet já não é mais a mesma. A TV agora é HD e o seu celular agora já tem conexão direta com a internet. Sim, você posta, compartilha de tudo e a toda hora.

Mas se tanta coisa evoluiu, por que o título desse texto ainda é o mesmo? O preconceito? Por que está cada dia mais difícil aceitar e respeitar a diferença que nos rodeia a todo o momento? Por que aceitar o outro é tão difícil assim? Por quê?

Racismo até quando? Consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos que todos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos perante a lei. O Brasil é um país miscigenado até o último cromossomo, mas ainda é racista na sua essência.

Ainda consigo me lembrar do ano em que assumi a minha homossexualidade. Foi em 2008 e, assim que eu resolvi assumir de fato o que eu era, ouvi milhares de pessoas me olhando de cima para baixo, dizendo que ser negro era aceitável, mas ser gay era demais.

"Onde já se viu...gay negro? Não existem gays negros. Isso é coisa de branco", eles me diziam. Pura ignorância de algumas pessoas que acham que têm o direito de dizer o que é certo ou errado, se é amor ou só uma fase da sua vida. Lembro ainda das desconfianças que sofri na escola. Por ser assumido, eu era um dos "populares" da escola. Algumas pessoas achavam que eu dizia ser gay só pra ser popular. Eu me perguntei se alguém faria tal papel para ganhar status. Tive que rir, confesso.

Quem me conhece sabe que sou totalmente a favor da integração entre povos e culturas. Valorizo negros e brancos que debatem melhorias referentes ao tema. Vivemos em um país com miscigenação onde temos brancos com traços de negros, negros com traços de índios. E é essa mistura que faz a nossa real beleza e que nos tornamos ainda mais diferentes das pessoas de outros lugares. E se o preconceito existe, é porque faltam conceitos a tais pessoas. Falta amor, conhecimento e amor ao próximo. Apesar disso, existe uma saída para o preconceito deixar de existir ou, pelo menos, diminuir.

A chave está na representatividade que pode diminuir e acabar com o preconceito. Temos que nos encontrar nas TVs, nas revistas, na moda e na cultura. Temos que estar nas aulas. Temos que mostrar os nossos heróis e deixar de sermos capas nas manchetes que envolvem a polícia, como se só negros roubassem ou matassem. Temos que deixar as estatísticas de morte em grande número por policiais, temos que exaltar a nossa cor, o nosso amor, a nossa crença e a nossa cultura. Mostrar que o diferente talvez não seja não diferente assim. Temos que nos aceitar.

Vejo com bons olhos os jovens pretos e brancos juntos, discutindo o destino do nosso país. O que me incomoda é ser preto apenas quando lhe convém.

Anderson Machado, 26 anos, morador da zona sul de São Paulo. Fez parte da primeira temporada da Escola Comunitária de Comunicação da Escola de Notícias. Ainda sonha ser apresentador de televisão.

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