OPINIÃO
13/04/2015 23:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Dos motivos, motivações e enfins

No último dia 3 de abril, a Escola de Notícias completou um ano de vida. E ganhamos de presente esse espaço para nos contarmos semanalmente. De vida adulta, que se diga.

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No último dia 3 de abril, a Escola de Notícias completou um ano de vida. E ganhamos de presente esse espaço para nos contarmos semanalmente. De vida adulta, que se diga.

Uma adolescência, quando se olha de perto para a história das iniciativas sociais na cidade. Antes disso, e bem antes disso, a Escola de Notícias existia como uma criança serelepe, experimentadora de tudo que via como oportunidade pela frente, isso em 2011. Muito mais uma ideia, uma confusão de ideias e ideais do que um projeto realmente. Rodopiando em suas vivências, perdia-se, achava-se em seus propósitos, duas, três vezes por dia. Ficava exausto de existir, e ninguém notar.

Dormia, acordava e começa tudo de novo. E assim, foi se seguindo até 2013, quando decidiu se perguntar verdadeiramente: o que mesmo eu quero fazer no mundo e como quero fazer isso? E foi aí que se organizou como iniciativa social, de fato, com programas, projetos, metas.

A ideia, porém, o nhanderekó, a essência de tudo que somos hoje, vem de 2006, numa

participação no recém trazido ao Brasil, o Geração MudaMundo, da Ashoka Empreendedores Sociais. Foi lá, ao lado de Edgard Gouveia Júnior (Play The Call), Luiz Flávio Lima (ALAVANCA), Raquel de Barros (Lua Nova), da Mafoane Odara, linda de nome e de tudo, e tantas outras INSPIRAÇÕES que conheci esses termos que hoje estão mais populares que a última polêmica no Twitter: fellow, empreendedor social, impacto positivo.

Foi assustadoramente divertido saber que pessoas viviam como aquelas que acabara de conhecer. Até ali, sempre soube que nascemos para trabalhar para alguém. E apenas os escolhidos trabalham para si mesmo. E somente os iluminados tinham como patrão seus próprios sonhos.

Até ali, e tudo mudou.

Em 2009, no Guerreiros Sem Armas, o mudar-se continua: descobri que diversão e trabalho são duas faces da mesma risada. Indescritível.

Antes, bem antes desses dias, em 2005, o Thiago Vinicius, da Agência Solano Trindade, me ligou um dia à tarde. Amigos desde sempre, alunos do Projeto Arrastão, no Campo Limpo, na zona sul, Thiago me falou assim:

- Tony, eu criei um projeto e estou aprendendo umas coisas muito loucas, mano. Queria muito que você viesse fazer parte da equipe. -

E eu fui falar com ele. E eu nunca fiz parte do projeto dele. E o projeto dele nunca mais saiu de mim. E ele, e eu, nunca mais paramos de falar como nós mesmos poderíamos nos empreender como pessoas. E, de lá pra cá, muitas coisas nasceram. Mas o fim, o desexistir, é processo da vida, das pessoas, das ideias.

No último dia 3 de abril, a Escola de Notícias completou um ano de vida. E ganhamos de presente esse espaço para nos contarmos semanalmente. O primeiro de dez, uma década, que nos desafiamos a existir. Sim, é possível que não existamos mais antes do seu filho, que nascerá esse ano, possa entrar em alguns brinquedos do Hopi Hari. Colocamos em nossa ata de fundação, em nosso estatuto, assim: a primeira vida da Associação Escola de Notícias termina em 2024. E quem irá decidir as suas próximas vidas será seu conselho gestor - formado por ex-alunos, equipe da Escola de Notícias. Toda iniciativa social, essencialmente, nasce para deixar de existir, um dia.

Assim como tudo, a Escola de Notícias não nasceu do nada. Na real, nada nasce do nada.

Enquanto vamos vivendo por aqui, encontrando as pessoas na saída do metrô, lendo livros de liquidação, assistindo aos programas de TV em domingos de emenda de feriado, já estamos criando coisas, e nem sabemos disso - na maioria das vezes. Toda e qualquer ideia, projeto, empresa, revolução nasce dessa soma das partes, dessas micromemórias diárias que vão se juntando, se ajuntando, até que nos transbordam, e ganham corpo, logomarca, um Cantinho de Integração de Todos os Amores (CITA), um nome e, quando adolescentes, uma identidade oficial, um CNPJ. Além de um texto para se recontar, desse jeito.

Nós coexistimos o tempo todo. Nos vemos ponte, não caminho.

A Escola de Notícias hoje é a mistura de sonhos de uma equipe de 13 pessoas. De um Conselho de 20 jovens. De uma terceira turma da Escola de Comunicação de 30 novos participantes em 2015. De 217 moradores do Campo Limpo que já se interessaram por nossa formação em 24 meses. E das 22 escolas públicas e particulares representadas por seus alunos em nossa Jornada de Aprendizagem em EUducomunicação.

No último dia 3 de abril, a Escola de Notícias completou um ano de vida. E ganhamos de presente esse espaço para nos contarmos semanalmente. Mas acho que sobre isso eu já falei.

Sejam bem-vindos.

Tony Marlon,

Facilitador de risadas coletivas na Associação Escola de Notícias

E cuidador de Projetos e Parcerias, nas horas vagas.

Clube de Regatas do Flamengo em período integral.

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