OPINIÃO
28/04/2015 15:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Das afetividades da educação

Enquanto educadores (e educandos, pois, devido aos afetos, somos as duas posições ao mesmo tempo) aprendemos quando nos conectamos uns aos outros e com nós mesmos e nossos novos estados.

Somos corpos, porque estamos todos imersos em relação. Não existimos sem a presença do outro. Isto porque a principal característica da nossa natureza é afetarmos e sermos afetados nos encontros que produzirmos durante a nossa existência. Assim, a potencialidade principal de nós mesmos é estarmos sempre em mudança, pois a cada encontro, entramos em rearranjo e nos transmutamos em novos estados de nós mesmos.

Para tanto, é necessária a disponibilidade de nossos corpos para este afetar-se e ser afetado. Podemos permitir que o corpo seja reinventado em novos estados de vida e viver, como diria Foucault, a vida como obra de arte. Ou podemos simplesmente nos enrijecer em identidades-armadura e seguirmos sendo sempre fechados para tudo o que puder nos fazer mudar. Perceber a mudança de que somos capazes é sempre uma experiência de autoconhecimento.

Na Escola de Notícias, defendemos que todo encontro educativo é potencialmente instrumento disparador de mudanças em todos os envolvidos. Aprender e ensinar são ações em que, pela lei natural dos encontros, deixamos e recebemos um tanto.

Enquanto educadores (e educandos, pois, devido aos afetos, somos as duas posições ao mesmo tempo) aprendemos quando nos conectamos uns aos outros e com nós mesmos e nossos novos estados. Na Escola de Notícias, não damos respostas, nem as recebemos. Fazemos provocações e somos provocados. Respostas são transitórias e particulares de cada processo individual e singular. Enquanto educadores, somos disparadores de afeto. E somos afetados. O tempo todo.

Mariana Watanabe, Disparadora de afetos e espalhadora de amor na oficina de criação gráfica da ECOMCOM (Escola de Comunicação Comunitária) da Escola de Notícias. Psicóloga esquizoanalista, formada pela Unesp/Assis. Apaixonada por histórias de vida e defensora da formação de vínculos afetivos enquanto potência revolucionária.