OPINIÃO
08/05/2015 18:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Mães, isto talvez seja uma homenagem!

Minha bisavó Francisca teve 13 filhos, minha avó oito, com seis ainda entre nós, minha mãe só dois, eu ainda nenhum... e assim vemos em números que a modernidade tomou muito de nosso tempo de atenção à família - gerando o "sentimento de culpa" por não conseguirmos administrar tudo com mais maestria. Amor não falta, mas está difuso em tantas atividades.

Há quem ame ser mãe, há quem escolha não ser, mas todas podem despertar a maternidade

Maternidade, no melhor sentido, é o estado de ser mãe, com um laço que une mãe e filho. Eu não sou mãe ainda, mas é uma das minhas maiores vontades e curiosidades talvez por estar cercada de mulheres maravilhosas (sério, minha família é a mais maternal do mundo!). No entanto a gente nunca sabe se estará pronta, se esse é o plano pra nós, em qual tempo, e todas as dúvidas que permeiam esse momento que, hoje em dia, é praticamente uma escolha ainda mais consciente.

Minha avó Maximiliana com suas filhas Helena, Ramira, Vivian, Luciana, Madalena e o filho Frank, além da gatinha Maya, xodó da família e filha também. Fonte: Arquivo Pessoal

 

Minha bisavó Francisca teve treze filhos, minha avó oito, com seis ainda entre nós, minha mãe só dois, eu ainda nenhum... e assim vemos em números que a modernidade tomou muito de nosso tempo de atenção à família - gerando o "sentimento de culpa" por não conseguirmos administrar tudo com mais maestria. Amor não falta, mas está difuso em tantas atividades.

Me vem à memória uma música de Fernanda Brum "Dá-me filhos senão morro", em que conta sua saga contra a esterelidade física e emocional. Apesar da pressão primitiva para que as pessoas tenham filhos, a maternidade é tão transformadora que inspira. Mães verdadeiras relatam em seu rosto o que é dividir sua vida, desde o ventre, para sempre. Não excluo do texto a figura do pai, que pode ser um grande cara, mas quero valorizar a mulher protetora, a família cheia de amor.

Por isso, te desejo filhos - genéticos ou não. É um tempo de responsabilidade, em que você é a primeira fonte de alimento, te faz brincar, renascer.Nasce uma mãe quando nasce um bebê. Não é um ato egoísta, os filhos não são nossos, mas serão parte de nós andando por aí, e pode doer, mas vai mudar tudo, e isso é ótimo.

Nathalia Andrade, minha amiga, mãe da Helena e de primeira viagem :), está em seu primeiro dia das mães. Uma boa ilustração de amor. Fonte: Arquivo Pessoal

Um papel imprescindível da mãe é ensinar! A família é mais importante do que a escola e brincar e conversar é aprender: antes de exigir boas notas, deve-se orientar o filho, pois somos o governo do nosso lar e a escola é um complemento, não responsável por sua educação! Isso seria submeter os filhos à muita vulnerabilidade, terceirizar.

Crianças são produto de uma dinâmica familiar e cultural, diz-se. E, de fato, as primeiras descobertas têm a presença simbólica de um anjo, a mamãe - que atua como mestre apresentadora do mundo ao filho, sob sua ótica, que o influenciará a vida toda como forte referência. O comportamento e o caráter são moldados como um vaso nas mãos do oleiro.

Abrir mão de si mesmo é parte do legado de ser mãe - para umas mais que para as outras. Eu fui líder de jovens por dez anos e me sinto "mãe" das dezenas de jovens que "ajudei a formar", que convivi.

Eles já não eram geneticamente meus, mas ninguém pode impedir o laço eterno do amor, do cuidado, da oração - onde quer que vão, talvez não lembrem de mim, mas do que pude ensinar no tempo precioso que ganhamos juntos. Eu sempre abri mão de mim, e senti um pouco que é priorizar o outro - como Deus mostra ser o caminho.

Tem "mãedrinha", tem professora, tem "pãe" - são múltiplas as possibilidades de ser mãe de um ser, de uma causa, todas nobres. O mundo precisa de mais mães de todos os gêneros, com espírito maternal para salvar a vida por meio do AMOR.

A maioria das mães não é só mãe em tempo integral. As pressões sobre a vida da mulher são cheias de regras, culpas, dores. Mas há algo louvável - ainda sentindo-se perdida, a identidade de ser mãe não é perdida, é enaltecida ainda que não a reconheçam. A mãe é um ser humano fundamental na comunidade, no núcleo familiar - de onde surgem todos nós.Elas fazem um ótimo trabalho, milagroso.

Ser mãe gera todo um movimento dentro e fora da mulher - por isso muitas delas não lidam bem com isso - da concepção à realização da maternidade, direta e indiretamente, basta uma mulher contar que está grávida para que apareça um exército de palpiteiros:

"Querida, seu parto deve ser natural, de preferência em casa, ah, minha filha... faça amamentação até pelo menos o sexto mês e nada mais, ou em livre demanda (o bebê mama quando desejar), ou só vale parto se for natural, ou carregue a criança assim, dê maracujá pra ela dormir, alimente-a disso batido, não trabalhe, mulher nasceu pra cuidar dos filhos, sua descuidada, se você não criar, o mundo cria, viu". Blá, blá, blá, blá (cante tipo Anita).

Eu nasci de cesárea, e cesárea é parto sim. Às vezes a única modalidade possível para fazer o bebê e a mãe sobreviverem, como foi meu caso. Minha avó relata dezenas de amigas que foram sequeladas e até mortas no parto. O parto em si é 'violento' de qualquer forma, só que a experiência pertence a você, e ninguém pode vivenciá-la no seu lugar. Prefiro o humanizado, mas não posso julgar. E esse movimento de experiências, erros e acertos não pára mais. Até pra quem parece fria aos seus olhos e "não liga", até pra quem decidiu não ser mãe - a vida encarregará de dar grandes responsabilidades também.

A imagem da mãe sorrindo, com o filhos lhe dando uma bitoca é a mais usada em campanhas da época. Mas nem sempre é uma imagem real, diária, porém idealizada. A vida é uma guerra, é sobreviver a desertos e ser mãe não é matemática simples. Você não nasce pronta, tem instintos até, mas sempre vai aprender se escolher ser, vai aprender a amar fora do corpo.  Você já deve ter feito sua mãe chorar no primeiro dia da escolinha, de saudade, por uma briga, ou até emocionada. Mãe é ser humano e erra. 

A dica de ouro é: cuide bem dos seus pais, independente de quem sejam. Encontre alternativas de honrá-los e mudar até situações inimagináveis. Não desista fácil desta relação que indica sua origem e indícios de sua jornada. Não seja mal com seus filhos pois não recebeu "amor". Desamor não é justificativa para não amar. Quebre esse ciclo em todas áreas que puder. Coragem!

Em tempos de guerra, a mãe é a leoa que não pára de lutar. O semblante das propagandas nem sempre representa a realidade. Mas ser mãe é ser uma missionária. Fonte: Reprodução Instagram via Social Mothers

Amadurecer, aprender, revolucionar. Deixar-se transformar pela experiência. Parir deve ser incrível, mas a promessa íntima da mãe é mais - quando o filho nasce ela promete amar, proteger e cuidar todos os dias. Principalmente quando tudo desabar. E em colo elas são especialistas. Obrigada, mesmo pela profissão mais difícil do mundo.

Feliz Dia das Mães, todos os dias.

Aliás, à minha mãe:

Fonte: Reprodução do meu Instagram

De: Erika
Para: Ramira

Obrigada por não desistir de mim. Te desejo muita saúde e muita paz. Eu quero muito te honrar. Só a gente sabe o tamanho das lutas. Hahaha, valeu por dançar valsa comigo na formatura. Por limpar minha fralda, comemorar minhas primeiras palavras e refeições! Quem diria que você faria tudo isso duas vezes né? Perdão pelo trabalho que dei e ainda dou. Logo tudo vai ficar ainda melhor, e vamos abençoar até quem não acredita! Te amo!

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Texto original "Como padecer no paraíso, mesmo!", publicado no Correio Paulista e no meu blog!