OPINIÃO
07/05/2015 16:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

A revolução da ciência dos dados

Acreditamos que o objetivo dos computadores é dar poder às pessoas, complementando suas habilidades. A próxima década trará justamente isso. Aprenderemos a construir máquinas que vão além da execução de tarefas e que nos oferecerão os tipos de insights que permitirão decisões históricas.

O The Huffington Post estreou em 2005, mas, se tivesse sido lançado dez anos antes, sua audiência seria muito diferente. Em 2005, o leitor médio era bastante educado digitalmente - passava muito tempo online, se comunicava essencialmente por email e telefones celulares e se envolvia diariamente com as mídias sociais. Mas isso foi antes da chegada de Siri, Google Now e Waze. Hoje, estamos mais conectados que nunca e dependemos de todo tipo de máquina inteligente em nossas vidas cotidianas. Os computadores podem ter começado como ferramentas lineares, usadas apenas por engenheiros para determinadas tarefas, mas hoje eles são aparelhos versáteis que nos apoiam de maneiras distintas e empolgantes.

E o que está por vir é ainda mais empolgante. Nos próximos dez anos, acreditamos que os computadores vão além de seu papel atual de assistentes. Eles serão nossos conselheiros. Com a ajuda deles, vamos encarar e resolver algumas das questões mais difíceis enfrentadas pela humanidade.

Era uma vez o computador criado com uma finalidade única: processar grandes conjuntos de dados e encontrar respostas para perguntas específicas, identificando a proverbial agulha num palheiro de informações. Eles ainda fazem isso hoje - mas em velocidades e níveis de complexidade muito maiores. As forças gêmeas da ciência dos dados e do aprendizado das máquinas nos permitem automatizar um número crescente de tarefas repetitivas, que consomem muito tempo -- nos liberando para ocupações mais valiosas.

Considere o Fitbit. Certamente seríamos capazes de monitorar nossas atividades físicas à mão, mas não teríamos as mesmas consistência e precisão de um aparelho que usamos no pulso. E considere os carros que se locomovem sozinhos. Passar a tarefa de dirigir para um computador vai liberar incontáveis horas para que possamos trabalhar, aprender ou conversar com pessoas queridas. Além disso, há o lado da segurança, pois motoristas computadorizados não se distraem com conversa nem ficam cansados ou bêbados.

Os benefícios das ferramentas digitais não são limitados a um punhado de privilegiados. Pescadores africanos usam celulares para encontrar o mercado com os melhores preços para vender seus peixes. Classes inteiras que tinham de dividir um único livro agora podem acessar um mundo de informações por meio da internet.

Mas acreditamos que os computadores farão mais. Sua capacidade de analisar dados não para de aumentar, e mais dados são armazenados digitalmente. Eles terão um amplo impacto na sociedade e nos ajudarão a lidar com questões importantes como saúde e a mudança climática.

Nas próximas décadas, cerca de 60 milhões de pessoas mudarão para cidades a cada ano. Haverá questões de controle de tráfego, combustíveis, pegadas de carbono e planejamento urbano. Aí entra a ciência dos dados. Na próxima década, a quantidade de informações que agregaremos vai crescer de forma exponencial - posse de carros, consumo de combustíveis, espera média em cada semáforo. Não conseguiremos analisar todas as informações sozinhos, assim como não seremos capazes de sempre formular as perguntas certas. Mas os computadores serão capazes de olhar para essa montanha de dados, reconhecendo padrões e gargalos que não procuraríamos com base na intuição. Incontáveis relações e dependências serão descobertas, e o planejamento urbano vai ser mais científico, resolvendo potenciais problemas antes mesmo de eles se manifestarem.

Hoje estamos às vésperas de ter carros que nos levem automaticamente ao destino especificado. Na próxima década, os computadores nos aconselharão com respostas para perguntas sobre transporte que nem sabíamos que queríamos formular.

A ciência dos dados também vai transformar a medicina. O Watson, da IBM, já analisa informações de pacientes individuais para identificar os melhores tratamentos. No futuro, o impacto do aprendizado das máquinas vai crescer e combater categorias inteiras de doenças. Imaginamos que toda matéria biológica terá seu DNA sequenciado, e os dados resultantes serão armazenados numa base para análises computadorizadas. Os insights que virão à tona com a identificação automatizada de padrões são estonteantes. Nossa compreensão de tratamento e prevenção pode ser transformada por inteiro. Hoje, a tendência é olharmos para os dados quando a pessoa já está doente, e os estudos médicos se concentram em um conjunto específico de pacientes, uma vez iniciado o tratamento. Imagine expandir o escopo de nossa análise para incluir insights anônimos de uma população inteira, integrando informações que vão além de doenças, como exposição ambiental, nutrição na infância e hábitos de exercício.

Não temos como saber, mas e se os dados coletados anonimamente pelos monitores de atividade física nos trouxesses insights sobre prevenção de doenças? E se o reconhecimento de padrões automatizado resolvesse a relação entre genética e câncer? Imagine se, assim como doamos dinheiro para pesquisas sobre câncer, pudéssemos doar anonimamente nossos dados do Fitbit.

Acreditamos que o objetivo dos computadores é dar poder às pessoas, complementando suas habilidades. A próxima década trará justamente isso. Aprenderemos a construir máquinas que vão além da execução de tarefas e que nos oferecerão os tipos de insights que permitirão decisões históricas. É uma época empolgante para estar vivo.

Este post é parte de uma série que comemora os 10 anos de HuffPost através das opiniões de especialistas que olham para a próxima década em suas respectivas áreas. Leia aqui todos os posts da série.