OPINIÃO
15/08/2014 17:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

O samba de drones e anões

JACK GUEZ via Getty Images
An Israel soldier prepares to launch an Israeli army's Skylark I unmanned drone aircraft, which is used for monitoring purposes on July 14, 2014 at an army deployment area near Israel's border with the Gaza Strip. Israel slowed the pace of its raids on Gaza today and held off a threatened ground incursion as the world intensified efforts to broker a truce around the Palestinian territory. AFP PHOTO / JACK GUEZ (Photo credit should read JACK GUEZ/AFP/Getty Images)

O pedido de desculpas feito pelo presidente de Israel Reuben Rivlin sobre o episódio do "anão diplomático", que foi aceito pela presidenta Dilma Rousseff e pelo Itamaraty, pode ter mais a ver com a transferência de tecnologia de espionagem sofisticada do que com o uso excessivo da força na Faixa de Gaza.

Rivlin está bem ciente do fato de que os 14 drones "Heron" que Israel vendeu para o Brasil em 2009 por US$ 350 milhões continuaram a desempenhar um papel importante na segurança pública. Drones foram utilizados para fins de segurança na Copa do Mundo. As aeronaves não tripuladas também ajudam com a vigilância das fronteiras e pacificação de favelas, e a monitorar milhões de hectares de terras agrícolas.

A Tealgroup, uma importante empresa de consultoria no setor de defesa internacional, prevê que o mundo vai gastar US$ 91 bilhões em drones ao longo dos próximos dez anos. Uma vez que o Brasil quer expandir sua indústria de defesa, a equipe de comunicação social da Presidência anunciou recentemente que a presidenta Dilma autorizou um acordo de transferência de tecnologia entre a empresa israelense Elbit e o Flight Tech, uma empresa brasileira, localizada em São José dos Campos.

O acordo vai permitir que drones sejam produzidos no Brasil e vendidos nos mercados mundiais.

Boletins da indústria de defesa estão relatando que uma nação da África está planejando comprar drones fabricados no Brasil, mas a identidade do comprador está sendo mantida em sigilo. Israel já vendeu equipamentos de inteligência eletrônica sofisticada para Angola e Turquia para suas aeronaves AWACS.

Historicamente, Israel tem usado o desenvolvimento e comercialização de tecnologias estratégicas para construir relacionamentos com grandes potências como os Estados Unidos, França, China e até mesmo países da América Latina. Foi o urânio da Argentina que permitiu a Israel desenvolver seu projeto de reator de Dimona e, supostamente, um programa de armas nucleares.

Mas essa estratégia deixa Israel com pouca moeda política, agora que as Nações Unidas realizarão uma sessão especial da Assembléia Geral para determinar como parar táticas duras do regime de Netanyahu contra a Palestina e os seus parceiros do Hamas.

O que poderia ajudar Israel a suavizar a duras críticas que está tomando a partir do mundo árabe e em outros lugares na comunidade internacional é a recente aliança estratégica entre Tel Aviv e o Reino da Arábia Saudita. A conversa sobre a aliança está sendo conduzido pelo jornalista Jamal Khashoggi, que tem laços estreitos com os conselheiros de inteligência sauditas príncipe Turki e o príncipe Bandar. Em uma coluna publicada em 11 de agosto, Kashoggi disse que a aliança foi desenvolvida porque tanto Israel e Arábia Saudita têm inimigos comuns, ou seja, o Irã e o Hamas.

Além de compartilhar inteligência estratégica, a relação envolve uma plataforma de televisão e internet desenvolvida pelo príncipe saudita Waleed bin Talal e o magnata da mídia e ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

A Alarabtv está localizada no Bahrein e é dirigida por Nabil Khashoggi. Ela fornece a programação da Bloomberg News Service, competindo com a CNBC no mercado de língua árabe.

O Movimento dos Não Alinhados, do qual o Brasil é membro, apoia a sessão especial da Assembléia Geral e terá a oportunidade de apoiar ou se abster de qualquer ação da ONU contra Israel. Com as forças do Hamas na Faixa de Gaza, os militantes apoiados pelo Irã ficam a apenas de 200 quilômetros de distância dos campos de petróleo do noroeste da Arábia Saudita.

A Presidenta Dilma vai entregar um importante discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU na véspera das eleições presidenciais brasileiras, e a situação de Gaza provavelmente será parte dela.

Entretanto, enquanto o Itamraty decide como jogar suas cartas para equilibrar os interesses da Arábia Saudita, Irã e Hamas, você pode comprar ações internacionais da Elbit, parceira do Brasil no ramo de drones, em uma das principais bolsas em Nova York.

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