OPINIÃO
08/08/2014 11:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Novo reality show? Dilma e Obama no "jogo de sanções"

JEWEL SAMAD via Getty Images
US President Barack Obama (R) greets Brazils President Dilma Rousseff as they arrive for the family photo at the G20 summit on September 6, 2013 in Saint Petersburg. World leaders at the G20 summit on Friday failed to bridge their bitter divisions over US plans for military action against the Syrian regime, with Washington signalling that it has given up on securing Russia's support at the UN on the crisis. AFP PHOTO / JEWEL SAMAD (Photo credit should read JEWEL SAMAD/AFP/Getty Images)

A Presidenta Dilma Rousseff quer que a ordem econômica mundial perdoe a dívida externa da Argentina. Alguns especialistas dizem que isso vai custar cerca de US$ 30 bilhões.

O presidente Barack Obama está chamando os US$ 30 bilhões que ele autorizou para salvar a General Motors de "responsabilidade compartilhada".

Mas há outra responsabilidade compartilhada que a mídia brasileira não está apresentando em sua cobertura porque não se traduz em votos para Dilma ou os candidatos que estão desafiando-a.

O Brasil já está profundamente envolvido em subsidiar a economia dos Estados Unidos. O relatório mensal do Tesouro dos Estados Unidos indica o que o governo do Brasil é o quarto maior detentor de seus instrumentos, depois da China, Japão e Bélgica, com US$ 251 bilhões. Por que o Brasil não redime os US$ 30 bilhões em instrumentos de tesouraria que detém para combater a inflação e promover o crescimento em vez de subsidiar a economia americana?

Como parte de sua estratégia para apoiar a Ucrânia, a administração Obama está analisando todas as opções possíveis para isolar a Rússia com sanções econômicas que implicam nos BRICS e nas relações bilaterais entre os seus membros. Washington poderia dizer que está tendo uma conversa sobre a possibilidade de ampliar as suas sanções para proibir o resgate de títulos por nações que fazem negócios com a Rússia.

Nesse contexto, o Brasil pode enfrentar a pressão de Washington para apoiar o seu regime de sançõese então se qualificar para receber seus fundos. Dê uma olhada rápida na análise por especialistas da Brookings Institution e você poderá notar que a conversa sobre sanções mais amplas implicando os BRICS e a América Latina já começou. "Com o banco de desenvolvimento do BRICS, eles (BRICS) está comprando uma apólice de seguro contra o risco de sanções dos EUA."

Historicamente, o Brasil é o único país dos BRICS que não tem enfrentado sanções orquestradas por Washington. Mas isso pode mudar num piscar de olhos. O que seria a resposta de um novo governo Dilma? E se Aécio Neves é eleito presidente? O que ele faria?

O respeitado jornal Frankfurter Allgemeine está relatando que altos representantes da União Democrata Cristã (UDC), o partido de Angela Merkel, se juntaram com os legisladores verdes e socialistas para pedir a boicote da Copa do Mundo da FIFA na Rússia em 2018, em protesto à situação na Ucrânia.

E não se pode descartar que esta epidemia de sanções pode se espalhar para a discussão de um boicote para a Olimpíada 2016 no Rio de Janeiro.

O Kremlin proibiu exportações de alimentos e alguns itens agrícolas aos Estados Unidos, à Comunidade Europeia, Canadá e Austrália como retaliação pelas sanções do governo Obama. O que acontecerá se o Brasil tentar vender mais alimentos como carnes e itens agrícolas para a Rússia? Será que provocam Washington a ameaçar ou impor sanções contra Brasília que poderiam gerar um custo social inoportuno para a economia agrícola brasileira e os povos da União?

Hora de acordar e cheirar o café.

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