OPINIÃO
16/07/2014 12:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Em breve, um embaixador americano gay na América Latina?

O sucesso do primeiro embaixador declaradamente gay em Madri (James Costos, à dir.) tem recebido pouca cobertura na imprensa americana. No Brasil, a classe política prefere manter a vida privada dos líderes, políticos e diplomatas fora dos meios de comunicação.

Europa Press via Getty Images
MADRID, SPAIN - FEBRUARY 10: Prince Felipe of Spain (L) meets James Costos, United States ambassador at Zarzuela Palace on February 10, 2014 in Madrid, Spain. (Photo by Europa Press/Europa Press via Getty Images)

Já que os direitos universais são parte importante da agenda do presidente Barack Obama, a Casa Branca tem a oportunidade de fazer história ao nomear um embaixador declaradamente gay para trabalhar em um dos países latino-americanos.

Os Estados Unidos não têm embaixadores para a Argentina, Bolívia e Venezuela neste momento, devido a questões políticas não resolvidas. Mas essa situação pode mudar rapidamente. As relações comerciais entre Caracas e Washington estão melhorando e as empresas petrolíferas norte-americanas estão investindo bilhões no setor de petróleo e gás natural da Argentina.

A comunidade gay na Argentina acabou de realizar um protesto em frente à embaixada russa em Buenos Aires sobre a política do Kremlin para casais gays. A Argentina ainda tem uma câmara do comércio LGBT.

Em Madri, o embaixador gay de Obama, James Costos, tornou-se a estrela do circuito diplomático, abrindo uma nova era nas relações entre os Estados Unidos e Espanha.

O influente jornal El País relata que a área pública da residência oficial do embaixador Costos em Madri foi transformada em uma galeria de arte moderna, palco para reuniões diplomáticas que promovem as políticas do presidente Obama.

O marido do embaixador Costos é o famoso decorador de interiores Michael Smith, um amigo da primeira-dama Michele e do presidente Barack Obama. Ele redecorou o Salão Oval da Casa Branca. No mês passado, os Obamas passaram alguns dias de férias na casa do embaixador Costos e Michael Smith em Palm Springs, Califórnia.

Costos não é um diplomata de carreira. Ele é um ex-diretor da rede de TV a cabo HBO, e tem sido um importante arrecadador de fundos para o presidente Obama e o Partido Democrata.

O sucesso do primeiro embaixador declaradamente gay em Madri tem recebido pouca cobertura na imprensa americana, pois poderia se tornar um problema e prejudicar alguns candidatos democratas nas eleições de novembro.

Costos é um dos um dos quatro embaixadores declaradamente gays nomeados pelo presidente Obama. Os outros são Daniel Baer, embaixador na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Viena, Rufus Gifford, que serve como embaixador na Dinamarca, e John Berry, um diplomata de carreira que serve como embaixador para a Austrália.

A revista financeira norte-americana Forbes diz que Rufus Gifford, que trabalhou nas campanhas políticas de John Kerry e Barack Obama, é conhecido como "embaixador de Obama para a comunidade gay".

Enquanto o Brasil aprova oficialmente direitos para casais gays e outras pessoas da comunidade LGBT, a classe política prefere manter a vida privada dos líderes, políticos e diplomatas fora dos meios de comunicação. A situação é semelhante em toda a América Latina e entre os BRICS.

Mas o presidente Barack Obama assume o risco e compreende a forma como a política disruptiva pode promover mudanças positivas. Sua política recebeu um apoio importante recentemente, quando o Secretário Geral Ban Ki Moon anunciou seu apoio à união gay entre todos os funcionários das Nações Unidas.

Os embaixadores declaradamente gays nomeados pelo presidente Obama já não são apenas "vozes gays". Sua missão é promover a inclusão social, e direitos universais servindo a todos. Quando os políticos e diplomatas da América Latina falam sobre transparência deveriam pensar nisso.

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