OPINIÃO
10/11/2014 15:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Ebola excluído do G-20

A implicação de preconceitos dentre o G-20 relacionada com as nações de Ebola na África Ocidental, não ajuda a imagem dos líderes sorridentes para as câmeras, nem a promoção da inclusão social na economia mundial.

Com uma nova cepa do Ebola descoberta na República Democrática do Congo e novos casos aparecendo em Mali, a propagação do vírus apresenta novos riscos que podem ameaçar a recuperação da economia global.

Infelizmente, o primeiro-ministro Tony Abbott, da Austrália, que está hospedando a cúpula do G-20 em Brisbane, tem insistido veementemente que a discussão para controlar a epidemia do Ebola é imprópria para o fórum das nações mais ricas do mundo.

Austrália e o Canadá, países com populações predominantemente brancas, proibiram a entrada de visitantes daquelas nações na África Ocidental que são afligidos por Ebola.

Dr. Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, exigiu explicações da Austrália e Canadá. Mas nenhuma nação tem respondido aos pedidos.

A Anistia Internacional opera um site onde as pessoas podem assinar uma petição do G-20 para incluir o Ebola na sua reunião na Austrália.

A implicação de preconceitos dentre o G-20 relacionada com as nações de Ebola na África Ocidental, não ajuda a imagem dos líderes sorridentes para as câmeras, nem a promoção da inclusão social na economia mundial.

Respondendo ao pânico global que começou no mês passado quando a imprensa internacional dramatizou os riscos de epidemia, Jim Yong Kim, o diretor americano do Banco Mundial e Ban Ki Moon, secretário-geral das Nações Unidas, promoveram um plano com um custo de US$ 32.6 bilhões para controlar Ebola para os próximos 18 meses.

Mas o plano tem recebido pouco apoio internacional. A União Europeia forneceu só US$ 50 milhões. O Fundo Monetário Internacional doou cerca de US$ 120 milhões.

Fundador do Facebook, Mark Zuckerberg e sua esposa pessoalmente doaram US$ 25 milhões para os Centros de Controle de Doenças do EUA para ajudar a combater o Ebola e, além disso, Mark forneceu um "botão de doação" no site para que as pessoas doem.

Com nações individuais gastando fundos localmente para proteger suas próprias populações o plano de US$32 bilhões desapareceu do ciclo de notícias.

O Brasil deve se proteger contra múltiplas epidemias. Dengue, poliomielite, sarampo e chikungunya, entre outros. Os viajantes que chegam de "Ebola hotspots" em nações da África Ocidental são obrigados a preencher um questionário para entrar no país.

Com grandes empresas farmacêuticas apressando para desenvolver vacinas não comprovadas, os esforços internacionais para combater o Ebola assumiram o caráter de uma "start up", não um projeto humanitário.

A primeira resposta dos Estados Unidos foi estratégica, reforçando a sua presença militar para garantir a segurança em Libéria e África, em geral com uma missão secundária para ajudar e formar os profissionais de saúde nas nações atingidas por Ebola. Estas operações são financiadas pelo Congresso americano e estavam em vigor antes do "pânico Ebola."

A resposta dos militares dos EUA tem sido importante para a infra-estrutura, incluindo hospitais em Libéria, que tem ajudado a reduzir o número de casos que está sendo apresentado.

Historicamente, a comunidade internacional tem os Estados Unidos como a liderança na gestão dos riscos globais. Mas com os conflitos entre os estados da união e o governo federal de Obama sobre quem controla a política Ebola, o fator decisivo que permitiu aos republicanos para ganhar o controle do Senado, a liderança da Casa Branca tornou-se problemática, na melhor das hipóteses simbólico.

Segundo a Reuters, o presidente Barack Obama vai pedir ao Congresso dos EUA para aprovar 6,2 bilhões de dólares em novos fundos este ano para combater o Ebola na África Ocidental e os Estados Unidos.

Mas com o Senado controlado pelos republicanos, não há garantias de que o projeto será aprovado. Obama agora enfrenta a possibilidade de ser um líder ineficiente ("lame duck") durante os dois últimos anos de sua presidência.

Uma discussão surpresa sobre o Ebola, liderada por Obama na reunião do G-20, iria aumentar sua credibilidade no palco mundial. Mas, como apresentador, a Austrália fazendo do tema do Ebola um tabu na conferência e é altamente improvável que a discussão vai acontecer.

Em seu novo livro, discutindo a disfuncionalidade do atual ordem mundial Henry Kissinger, diz que parte do problema é "excesso de cumbres."

Outro tema que o G-20 prefere não falar.

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