OPINIÃO
24/10/2019 04:00 -03 | Atualizado 24/10/2019 04:00 -03

'Zumbilândia - Atire Duas Vezes' é mais do mesmo, mas continua divertindo

Dez anos de espera é um pouco demais, mas sequência de "Zumbilândia" não decepcionará seus fãs.

Zumbilândia não foi um dos maiores hits de 2009, mas ficou (bem) longe de ser um fracasso. O filme que revelou Emma Stone para o mundo ficou em um honroso 42º entre as maiores bilheterias daquele ano, lucrando US$ 72 milhões. 

Resultado que dava uma boa janela para uma sequência. Mas os anos foram passando e seu elenco começou a ficar caro demais. No começo, o problema era Jesse Eisenberg, que já em 2010 estrelou A Rede Social, do respeitado cineasta David Fincher, um queridinho da crítica que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator.

Mas a força de Zumbilândia foi crescendo com o tempo e o filme alcançou status de cult. Seus fãs eram fiéis e clamavam cada vez mais por uma sequência.

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Jesse Eisenberg, Emma Stone e Zoey Deutch (a única novidade de "Zumbilândia - Atire Duas Vezes").

No entanto, outra pedra no caminho surgiu, e ela se chamava Emma Stone. Não demorou muito para que Stone se transformasse em uma das atrizes mais requisitadas de Hollywood, entrando para um seleto grupo de atrizes vencedoras do Oscar, conquistado com La La Land - Cantando Estações (2016).

Stone, por sua vez, sempre deixou claro que tinha o desejo de retornar, e que o problema principal não era grana, mas a qualidade do roteiro. Em algumas entrevistas ao longo dos anos, ela confirmou que o elenco não tinha ficado satisfeito com o primeiro roteiro da sequência de Zumbilândia, e que eles só voltariam a se reunir quando o material não fosse apenas “uma desculpa para curtirmos um tempo juntos”.

Não que o roteiro de Zumbilândia - Atire Duas Vezes, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (24), seja lá uma obra prima, mas o filme é tudo o que seus ardorosos fãs queriam, ou seja, quase que uma repetição do original.

Como era de se esperar, Zumbilândia - Atire Duas Vezes não gasta um segundo sequer de tela se levando a sério. Sua primeira cena já é uma tiração de sarro com o próprio gênero de filmes de zumbi. É um dos exemplos mais precisos da máxima “não se mexe em time que está ganhando”.

Tudo que brilhou em Zumbilândia está de volta em sua sequência. O livro de regras de Columbus (Eisenberg), as maneiras mais criativas (e nojentas) de se matar zumbis, as tiradas sem noção de Tallahassee (Woody Harrelson) e até a volta de um personagem bem marcante que não vamos dizer quem é porque esta é uma crítica livre de spoilers. Fica a dica: não saia do cinema antes do final dos créditos.

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Hoje com 22 anos, Abigail Breslin mostra o tamanho da paciência que os fãs tiveram de ter para finalmente ver a tão sonhada sequência de "Zumbilândia".

Anos depois do início da epidemia zumbi nos Estados Unidos, Columbus, Tallahassee, Wichita (Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) se estabelecem na Casa Branca. Mas o grupo se separa quando Wichita e Little Rock fogem. Wichita por conta do medo de ter um compromisso mais sério com Columbus, já Little Rock não vê a hora de encontrar pessoas das sua idade para se relacionar. Ainda devastado pela perda de sua namorada, Columbus acaba conhecendo Madison (Zoey Deutch), uma patricinha que sobrevive ao apocalipse zumbi em um shopping center.

O único problema fica para o pouco aproveitamento de Stone e Breslin, que perdem espaço com a chegada de Deutch (da série da Netflix The Politician) como a hilária Madison. A única “novidade” de Zumbilândia - Atire Duas Vezes. Porém, nada que prejudique muito o produto final.

Veredito? Chame seus amigos, compre um balde bem grande de pipoca e dê boas e descompromissadas risadas em grupo. Zumbilândia - Atire Duas Vezes é isso, nunca teve a pretensão de ser algo mais do que pura diversão escapista.