ENTRETENIMENTO
14/08/2020 19:39 -03 | Atualizado 14/08/2020 19:43 -03

O que esperar da nova temporada de 'Zorra' com produção remota

Victor Lamoglia é uma das novidades do elenco; ator teve dificuldade em contracenar à distância: "Perde-se muito do improviso".

A nova temporada de Zorra, que estreia na Globo neste sábado (15), está diferente. Os episódios mesclam gravações do início do ano com cenas realizadas em casa pelos próprios atores devido à pandemia do novo coronavírus. O elenco ganhou reforço dos veteranos Diogo Vilella e Marisa Orth, e também de Karina Ramil, Robson Nunes e Victor Lamoglia, três jovens talentos do humor brasileiro.

Para as gravações remotas, cada membro do elenco recebeu um kit com câmera, luz, microfones, além de um celular com resolução 4K. “O aparelho continha um aplicativo de acesso remoto. O diretor de fotografia conseguia acessar a câmera e mexer em tudo da casa dele mesmo, transformando o celular em uma câmera profissional”, disse Lamoglia em entrevista ao HuffPost.

Divulgação/TV Globo
Dono de um canal no YouTube com quase 1 milhão de inscritos, Victor Lamoglia passa a integrar o elenco do humorístico junto com Diogo Vilella e Marisa Orth, Karina Ramil e Robson Nunes.

 

Gravar as próprias cenas pode ter sido complicado para a maioria do elenco. Não foi bem caso de Lamoglia, que tem experiência na frente e atrás das câmeras. O ator, que chegou a cursar um semestre de Cinema na Universidade Federal Fluminense, é dono de um canal no YouTube com quase 1 milhão de inscritos e tem passagem pelo canal de humor Parafernalha no currículo.

“Eu não me aprofundei em nada, mas tenho noção básica de um monte de coisa”, diz, referindo-se ao período em que estudou cinema. “Consegui ajudar o diretor [Mauro Farias] elaborando planos legais e nossa comunicação também foi mais fácil. Às vezes ele usava termos de posicionamento de câmera ou de quadros que eu já sabia.”

Isso não quer dizer que o ator passou ileso por todas as gravações. 

Questionado sobre qual cena está mais ansioso para ver na TV, ele destaca uma em que contracena consigo mesmo. “Tive que fazer toda a cena duas vezes, dos dois lados, eu comigo mesmo. Ficamos mais que o dobro do tempo necessário nela. Estou muito curioso pra ver o resultado porque não sabia para onde estava olhando e não tinha ninguém aqui em casa para me auxiliar.”

Contracenar à distância com os parceiros de elenco também não foi nada fácil para Lamoglia. “Foi muito esquisito porque não temos a troca. Não temos a reação do amigo que está em cena para saber o que ele vai fazer”, revela o ator. “Perde-se muito do improviso porque você não pode criar muita coisa, já que a outra pessoa vai seguir o roteiro lá do outro lado. Se você inventa algo, isso não chega para a pessoa”, completa. 

Para vencer o desafio de atuação em tempos de distanciamento social, o ator resolveu evitar excessos e abusar das orientações de Mauro Farias. “O diretor sabe tudo, óbvio. Ele dirige todas as partes. Mas a gente fica ali sem saber direito para onde correr”, conta. “Eu sempre perguntava para ele: dá pra ir? Dá pra fazer mais? Dá pra fazer menos? O que eu posso fazer aqui. E ele sempre falava o tom da cena. Isso ajudou bastante.”

Dificuldades e desafios à parte, Lamoglia faz questão de comemorar o convite para integrar o elenco do humorístico que, entre altos e baixos, está presente no imaginário dos brasileiros desde 2015. “Você ouve histórias ali no camarim, no corredor, de gente que estava em outras gerações do programa. É muito legal pisar ali e sentir essa carga histórica que ele tem. É muito bonito e bem gratificante.”