OPINIÃO
29/08/2019 11:55 -03 | Atualizado 29/08/2019 11:55 -03

Só os Beatles salvarão 'Yesterday' do esquecimento

Mistura de "Além da Imaginação" com "Sessão da Tarde", filme de Danny Boyle mais constrange que diverte.

Se o mundo já anda triste como está, imagine se os Beatles não tivessem existido? Essa é a premissa, a princípio assustadora, do novo filme do britânico Danny Boyle (Trainspotting, 127 horas), que estreia nos cinemas nesta quinta (29).   

Yesterday conta história de Jack Malik (Himesh Patel), um já não tão jovem cantor/compositor que largou uma carreira como professor para correr atrás de seu sonho no mundo da música. Mas o tempo passou e a carreira de Malik - empresariado por sua mulher amiga e crush platônico Ellie Appleton (Lily James) não emplacou. Pouco depois de anunciar a Ellie que cansou de perseguir seu sonho, Malik sofre um acidente de bicicleta por conta de um momentâneo apagão mundial. Recuperado do susto, ele acaba percebendo que é a única pessoa no mundo que se lembra da existência dos Beatles, e passa a fazer sucesso tocando os sucessos dos Fab Four como se fossem músicas suas.  

Todas essas informações são entregues no trailer. 

Veja aqui:


Ou seja, tudo que há de bom em Yesterday se resume a pouco mais que dois minutos. E olha que uma das cenas nem entrou no corte final.

Todo o resto é uma mistura de momentos constrangedores (muitos deles por conta da participação de Ed Sheeran), piadinhas com referências pop e um romance dos mais insossos com personagens pouco carismáticos. Há até um momento em que há um encontro com uma figura mítica da música que tinha tudo para ser piegas e desnecessário, mas que consegue ser pior do que isso.   

Porém, não há nada que as músicas dos Beatles não possam consertar. Como uma sinfonia que recupera uma planta murcha, as composições de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison mostram como o poder da música é capaz dos mais improváveis milagres. 

 

Divulgação
yesterday

Mistura de Além da Imaginação com Sessão da Tarde, Yesterday seria bem melhor se fosse um episódio de uma série de antologias tipo Black Mirror. “Aquele dos Beatles” diria alguém em um bate-papo no happy hour quando um de seus colegas da firma começa a falar sobre o que anda vendo na Netflix.

O problema é que boas ideias nem sempre sustentam filmes de duas horas. E esse é o caso aqui. No entanto, por mais saturado que você possa estar de canções como Yesterday, Hey Jude, Let it Be, Here Comes The Sun ou I Wanna Hold Your Hand, um tantinho de Beatles em nossas vidas é sempre necessário.

No final das contas, o que vale é aquela mensagem que quarteto de Liverpool nos deixou ao final de Abbey Road: And in the end / The love you take / Is equal to the love you make (E no final / O amor que você leva / É igual ao amor que você faz).