LGBT
04/07/2019 01:00 -03

Novo documentário encara 'Xena: A Princesa Guerreira' como ícone lésbica

'Queering the Script' analisa como a representação LGBTQ na televisão pode ter um impacto que ajuda a definir uma geração.

Dado o retrato que apresentou de uma protagonista feminina forte que tinha amizades íntimas com outras mulheres, Xena: A Princesa Guerreira atraiu uma base enorme de fãs LGBTQ ao longo de suas seis temporadas. Dezoito anos se passaram desde que a série saiu do ar, mas muitos fãs continuam a saudar a personagem titular como ícone lésbica, apesar de sua sexualidade nunca ter sido esclarecida formalmente.

Como revela o documentário recém-lançado Queering The Script (Tornando o Roteiro Queer, em tradução livre), a atração queer da série de fantasia que virou fenômeno da cultura pop inicialmente passou despercebida por uma pessoa: a própria Xena – ou melhor, Lucy Lawless, que fazia o papel da princesa guerreira.

Quando Lawless e Renee O’Connor, uma de suas colegas de elenco, tomaram conhecimento de suas fãs LGBTQ, “achamos superdivertido”, ela disse, conforme se vê no vídeo acima. “Uma parte importante desse fandom, algo nunca antes visto na história do mundo, foi o fato de ter nascido ao mesmo tempo que a internet.”

O culto a Xena é um dos muitos analisados em Queering the Script, que estreou no fim de semana na edição de 2019 do Festival de Cinema Inside Out, em Toronto, e será exibido em outros festivais ao longo do ano.

A cineasta canadense Gabrielle Zilkha disse ao HuffPost que quis estudar como as plateias queer abraçaram Xena e muitas outras séries de TV – entre elas Buffy, a Caça-Vampiros e, mais recentemente, One Day at a Time – e, com isso, como elas se posicionam ao mesmo tempo como fãs e ativistas.

“Quando essas plateias não se viram representadas na televisão, elas se incluíram na narrativa com fan fiction e outros trabalhos transformadores”, disse Zilkha. “Hoje, com personagens LGTBQ sendo representados com mais frequência, esta base de fãs é a primeira a defender a representação quando é bem feita, mas também a primeira a criticar, desconstruir e exigir algo melhor.”

AFP via Getty Images
Lucy Lawless protagonizou “Xena: A Princesa Guerreira” de 1995 a 2001.

Muitos dos filmes anteriores de Zilkha, como “Doing Jewish: A Story From Ghana”, de 2016, se debruçaram sobre questões que afetam comunidades marginalizadas. Em Queering the Script, especificamente, a diretora disse que seu objetivo principal foi “incentivar o público a refletir sobre o poder da cultura pop em nossas vidas” e provar que “é realmente importante nos vermos representados nela”.

“O fato de nos vermos representados ou não exerce impacto importante sobre o desenvolvimento do nosso eu e sobre os roteiros que seguimos na vida”, ela explicou. “Isso influi sobre como outros nos enxergam e como somos posicionados na sociedade como um todo.”

O fato de nos vermos representados ou não exerce impacto importante sobre o desenvolvimento do nosso eu e sobre os roteiros que seguimos na vida.

Mas o filme não foi feito para ser uma carta de amor ao fã-clube LGBTQ de séries populares de TV. Na realidade, Zilkha disse que seu objetivo também foi lançar um olhar crítico a esses fãs.

“Muitas das maiores ‘paixões’ queers e das personagens pelas quais as pessoas ficam obcecadas são brancas, femmes e correspondem a um determinado ideal de beleza feminina”, ela comentou. “Será que estamos realmente promovendo bem a representação se não promovemos séries com personagens não brancas? Quando personagens não brancas viram vítimas de estereótipos negativos, por que não expressamos a mesma indignação na internet que manifestamos quando isso acontece com lésbicas brancas e bonitinhas?”

Queering the Script é um entre vários filmes que são as atrações principais do Festival Inside Out, que dura até 2 de junho e está tendo sua 29ª edição este ano. Ancorada pela cinebiografia de Elton John, Rocketman, a programação do festival inclui Late Night, documentários como Halston e Scream Queen e séries episódicas como EastsidersVida e o remake produzido pela Netflix de Tales of the City

* Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.