ENTRETENIMENTO
15/08/2019 02:00 -03 | Atualizado 15/08/2019 08:17 -03

Vladimir Herzog é tema da nova edição da série 'Ocupação', do Itaú Cultural

Mostra em São Paulo reúne fotos, filmes, cartas, reportagens, depoimentos e audiovisuais do jornalista morto pela ditadura militar.

Instituto Vladimir Herzog
Nascido na Croácia e naturalizado brasileiro, Vladimir Herzog se transformou em um ícone da luta por Justiça e pelos direitos humanos.

Vladimir Herzog é o tema da 46ª edição da série Ocupação. De 15 de agosto a 20 de outubro, a mostra no Itaú Cultural, em São Paulo, retrata a vida e a obra do jornalista, dramaturgo e professor torturado e morto aos 38 anos de idade nos porões do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna), na capital paulista, no período da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

A Ocupação Vladimir Herzog reúne e exibe trabalhos de sua autoria no cinema, teatro e fotografia. O acervo segue o percurso da vida de Vlado desde quando, ainda pequeno, saiu com sua família de sua terra natal, na antiga Iugoslávia (hoje Croácia), até se tornar um ícone da luta por Justiça e pelos direitos humanos.

Nascido em 27 de junho de 1937, em Osijek, Herzog migrou para o Brasil com apenas 10 anos de idade. De origem judia, ele chegou em São Paulo com a sua família para escapar do antissemitismo do governo local. Já naturalizado brasileiro, Vlado formou-se em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), e se tornou um renomado jornalista, editor e professor. 

Ele foi imortalizado símbolo de luta quando a foto em que aparece enforcado em uma cela do DOI-CODI correu o mundo em 1975. 

Entre as cartas expostas, há mais de 20 que ele trocou com o amigo, o economista e professor Tamás Szmrecsányi quando trabalhou na BBC, em Londres. Ali, Vlado descreve o dia a dia na capital inglesa e sua preocupação e dúvidas em voltar ao Brasil, temendo por sua segurança e de sua esposa e filhos. 

Nos núcleos focados na história de sua família e no Caso Herzog, o público encontra gravações especiais. A primeira, na voz do escritor Milton Hatoum, foi dirigida a Vlado pelo pai, Zigmund Herzog, em 1968, e conta a história da família durante a Segunda Guerra Mundial. A outra, gravada pela atriz Eva Vilma em 2009, foi escrita pela mãe do jornalista, em 1978, para o juiz Márcio José de Moraes. 

Some-se a isso, projetos de roteiros, projeção do documentário Marimbás e fotografias – tanto feitas por ele entre a família, amigos, viagens, quanto tiradas dele próprio desde pequeno, ao lado dos bisavôs, avôs, pais, até sua vida adulta. 

Encontram-se na mostra, ainda, matérias suas publicadas no jornal O Estado de S. Paulo, no final da década de 1950, e parte de sua farta produção na revista Visão, importante publicação brasileira dos anos 1960 e 1970. Nela, Vlado começou como colaborador e chegou a editor chefe da seção de cultura. 

Sua passagem pela TV Cultura, onde foi editor de redação dos jornais Hora da Notícia e Homens de Imprensa, está igualmente registrada e documentada na exposição. Em sua segunda incursão pelo canal, ele foi convidado a dirigir o departamento de jornalismo da emissora. 

Herzog, no entanto, exerceu essa função por apenas um mês. Ele foi morto no DOI-CODI depois de se apresentar voluntariamente para prestar esclarecimentos sobre as suas atividades.

Serviço

Ocupação Vladimir Herzog

Local: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149).
Data: De 15 de agosto a 20 de outubro.
Horários: De terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.
Preço: Grátis.